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Kanimambo, Moçambique

“Uma coisa é estar a beber uma cerveja numa esplanada na Praia do Tofo, em Inhambane, 525 quilómetros a norte de Maputo, desviar o olhar do enxame de coqueiros para o mar e ver, nitidamente, uma baleia-corcunda a passear-se à superfície. Bem diferente é avistar, numa só investida submarina, sete tubarões-baleia (o maior peixe do mundo – chega a atingir 15 metros de comprimento – e o Santo Graal dos mergulhadores) e, a espreguiçarem-se de barriga ao sol, no limiar da água, três dezenas de mantas, a mais imponente das raias.”

in Única 19/10/06

 Também esta peça jornalística é do ano passado. Mas esta paisagem aqui descrita continua no mesmo sítio. Este “mundo” por descobrir que é África só está à espera da sua oportunidade para se dar a ver em todo o seu esplendor… Pronto não estou a ser isenta, sou suspeita para falar… porque trago em mim “sôdade”. Kanimambo (dialecto changane) significa obrigado. Este título não podia ser mais apropriado porque esta é uma reportagem que conta a história de alguns jovens portugueses que foram à procura de uma nova vida, aceitaram o desafio desta vida diferente, que é aquela vivida em África, e, hoje, não se arrependem. Encontraram uma nova casa e um novo modo de ser e de estar na vida. E porque também é “pelo sonho que vamos” é bom ler histórias com final feliz de pessoas de carne e osso.

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Outono em Berkeley

“AS ESTAÇÕES do ano têm mais intensidade nas cidades universitárias. Há uma consciência aguda do tempo nesses lugares onde se está, definitivamente, de passagem. O resto da vida de cada um dos jovens estudantes que ali moram, temporariamente, dependerá daquilo que conseguirão aprender, descobrir, reinventar, nestes poucos anos. Os sonhos e  angústias dos estudantes circulam no ar – a certas horas do dia ou da noite, parecem até visíveis, nuvens altas atravessando a transparência azul do céu, ou rajadas de vento inesperadamente frio. (…)”

por Inês Pedrosa in Única 14/10/06

Vão certamente estranhar a data do artigo que já têm três meses… Mas a explicação é simples, só hoje me decidi a “postar” e quis deixar aqui uma crónica que, de alguma maneira, nos toca a cada um de nós enquanto estudantes universitários prestes a terminar esta etapa da nossa vida. Soa a piegas… Bem relativamente a esta crónica sinto que nos transporta directamente para o universo estudantil, ainda que já não façamos parte dele ou ainda que não o tenhamos experienciado. É possível sentir a azáfama universitária, ver a diversidade de jovens ou pensar em todos os seus sonhos e medos, desejos e frustrações… Há aqui um poder de nos reportar para um sítio específico que mesmo não tendo sido vivenciado por nós se torna posível de ser experienciado através da imaginação.

“Eslarecimento aos leitores”

“RTP recusou manter parceria com o PÚBLICO

Ao fim de mais de dez anos de parceria entre o PÚBLICO, a Universidade Católica, a RTP e a RDP para a realização de sondagens, a direcção de informação da RTP decidiu, unilateralmente, romper o acordo informal, mas de cavalheiros, que ligava estas diferentes instituições. Fê-lo de modo abrupto e num momento difícil de compreender, pois a ruptura foi comunicada ao PÚBLICO e à Universidade Católica já depois de termos realizado a primeira reunião de trabalho para planear o ano de 2007 e, em particular, os trabalhos relativos ao referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. Essa reunião decorreu, com toda a normalidade, a 23 de Novembro de 2006.
Contudo, sem que nada o fizesse prever, no dia 12 de Dezembro o director de informação da RTP, Luís Marinho, comunicou por e-mail ao director do PÚBLICO e informou a Universidade Católica que a televisão de serviço público não queria mais colaborar com este jornal. Motivos? Os expressos no primeiro parágrafo dessa missiva: “Nos últimos meses, depois das acusações proferidas por Eduardo Cintra Torres contra a Direcção de Informação da RTP, subscritas em parte por ti, verificou-se uma deterioração das relações entre o PÚBLICO e a RTP que não me parece facilmente reversível.”
Na verdade não ocorreu desde então, pelo menos da parte do PÚBLICO, qualquer deterioração das relações com a RTP. Mais: as acusações feitas por Eduardo Cintra Torres foram editadas neste jornal em Agosto de 2006 e, em Outubro, o PÚBLICO, a RTP e a RDP voltaram a juntar-se para trabalhar com a Universidade Católica numa sondagem. Depois disso não houve, da minha parte ou do jornal enquanto instituição, qualquer nova referência à RTP ou aos seus critérios editoriais ou empresariais. Pelo contrário: o PÚBLICO mantém, numa parceria que também envolve a Rádio Renascença, um programa de entrevistas na 2: que os serviços informativos da RTP por vezes citam, reproduzindo algumas passagens, e o PÚBLICO mantém com a RTP acordos empresariais benéficos para ambas as partes.
O único evento de relevo ocorrido entre a reunião de 23 de Novembro e a missiva de 12 de Dezembro foi a divulgação da deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, ERC, sobre o texto publicado em Agosto por Eduardo Cintra Torres. Quem quer que tenha na ocasião lido o PÚBLICO pode verificar que este jornal reagiu de forma indignada e dura, mas que os textos visaram os poderes da ERC e o conteúdo da deliberação no que a este jornal dizia respeito, nunca se referindo a Direcção de Informação da RTP. Terão sido as críticas do PÚBLICO à forma como a ERC entendeu condenar um seu colunista e o seu director que levaram à citada “deterioração das relações”? Se foram, caberá à direcção de informação da RTP explicar porquê.
Não se perca, contudo, o sentido do essencial. E o que neste caso importa é que existia, há mais de uma década, uma relação institucional estável entre o PÚBLICO, a RTP, a RDP e a Universidade Católica. Nesse período sempre representei o PÚBLICO nas reuniões de trabalho, onde fui conhecendo os membros ou representantes de sucessivas direcções de informação da RTP. Correndo o risco de falhar alguma alteração nas suas muitas mudanças de chefia, sucederam-se nestes dez anos à frente da RTP direcções personificadas por Joaquim Furtado, Fernanda Mestrinho, José Rodrigues dos Santos, Emídio Rangel, de novo José Rodrigues dos Santos e, por fim, Luís Marinho. Ocorreram também mudanças de governo e de ministros da tutela, mas nem elas impediram, ou estimularam, que o PÚBLICO editasse inúmeros textos, de opinião ou editoriais, fortemente críticos da RTP. Da mesma forma o PÚBLICO e eu próprio fomos muitas vezes criticados em programas da RTP, o que sempre foi entendido, nesta casa, como sendo normal e até saudável.
Tal como escrevi na missiva que enviei a Luís Marinho e da qual enviei cópias aos administradores da RTP e ao seu provedor, “a minha cultura democrática permite separar as instituições das pessoas, tal como me permite divergir das opções e dos comportamentos daqueles com quem trabalho sem que para isso tenha de engolir em seco, antes tornando claros os meus pontos de vista”. Mais: “A minha cultura de cidadania obriga-me, em contrapartida, a ser mais exigente e vigilante relativamente ao operador de televisão que é financiado por taxas e impostos pagas pelos cidadãos. Ao mesmo tempo que, sendo possível, porque acredito que todo o bom jornalismo é serviço público, tal como creio que o jornal que dirijo tem (…) feito muito pela qualidade da informação e pelo nível do debate público, acredito que a nossa colaboração com os operadores de capital público é um contributo positivo para a qualidade dos mesmos, logo, passe a imodéstia, outra forma de servirmos a comunidade. Verifico porém que esta forma de estar na vida e na profissão não é partilhada por todos.”
Porém, nem sequer os esforços dos responsáveis da Universidade Católica e do seu Centro de Sondagens para manter a parceria tiveram qualquer eco. Forças mais altas se terão levantado e a RTP preferiu deixar de trabalhar com o jornal que um estudo académico recente (Fernando Vasco Moreira Ribeiro, Faculdade de Letras da Universidade do Porto) mostrou ser aquele que, precisamente nestes últimos dez anos e apesar das mudanças de governo, sempre demonstrou maior independência e menor dependência de fontes governamentais ou oficiais. São escolhas que falam por quem as faz.
Face à situação criada, e não fazendo o PÚBLICO parte de qualquer grupo de comunicação social, regressámos, de alguma forma, às origens. Voltamos a trabalhar com a TVI, como já fizemos no passado e junto de quem encontrámos de novo, agora através do seu director-geral, José Eduardo Moniz, a maior receptividade para o estabelecimento de uma parceria que também engloba o renovado Rádio Clube. Deixamos de trabalhar com a Universidade Católica, por cujo rigor mantemos todo o apreço, e passamos a trabalhar com a Intercampus, uma empresa de créditos firmados no sector dos trabalhos de campo para recolha e tratamento da informação e com uma dimensão que lhe permite assegurar qualidade e fiabilidade, como têm comprovado as boas previsões que fez em anteriores eleições.”

José Manuel Fernandes, in Público, 12 de Janeiro de 2007

Vale MESMO a pena ler…TUDO!

Ana Maltez

O estado da juventude em Portugal

O programa da RTP Prós e Contras de 8 de Janeiro teve como tema «O estado da juventude em Portugal.» Um debate interessante e dinâmico entre Daniel Sampaio – médico, Barata Moura – professor universitário, Carla Cruz Mouro – presidente do conselho nacional da juventude, Sam The Kid – músico e os jovens da plateia.

 

mms://195.245.176.20/rtpfiles/videos/auto/proscontras/pros_1_08012007.wmv [1ª parte]

 

mms://195.245.176.20/rtpfiles/videos/auto/proscontras/pros_2_08012007.wmv [2ª parte]

 

 

 

 

 

Há lugares que não existem!

“Cada vez que o Estado financiar 2,3 abortos está a não pagar, a adiar ou a excluir uma operação. “Estas palavras – todas elas e exactamente alinhadas deste modo – foram proferidas pelo social – democrata António Borges que com este argumento apelou a semana passada ao “não” no referendo de 11 de Fevereiro.

Li e reli a frase. Ponderei no seu sentido. E finalmente cheguei à conclusão de que me falta a capacidade intelectual para perceber o argumento. Não o entendo! Por que não dizer que de cada vez que o Estado paga uma operação aos olhos, quatro pessoas deixam de poder ser operadas à vesícula? Ou que, por cada operação ao coração, ficam dois rins por “reparar”?

Quando já faltam poucas semanas para o referendo à despenalização do aborto, é triste assitir a uma troca de argumentos que já nada têm que ver com o que está verdadeiramente em causa. No lado do “não” atiram-se os impostos para cima da mesa. Como se fosse o dinheiro o critério de decisão. Mas pior! Do outro lado da barricada houve quem respondesse dentro da mesma linha de argumentação. Ou dito de outra forma, mordeu o isco.

Se é de números que falamos, então vamos a eles. A cada seis minutos, morre uma mulher vítima de um aborto clandestino, feito em más condições. Não sei quanto custa a vida de uma mulher. Não consultei as tabelas que determinam, em caso de desgraça, quanto vale uma mão direita e uma esquerda, um olho e um dente. Uma vida.

E se é de estatísticas que querem, aqui estão elas. Na Roménia em 1966 o aborto legal foi restringido e a taxa de mortalidade de mulheres grávidas causada por abortos clandestinos aumentou dramaticamente, tornando-se dez vezes mais alta que no resto da Europa. Em 1989 o aborto foi de novo legalizado quando pedido pela mulher e a taxa de mortalidade de mulheres grávidas diminuiu drasticamente. Em contraste, a Holanda tem a taxa de aborto declarado mais baixa da Europa porque tem leis não restritivas ao aborto, leis estas, inseridas numa estrutura que inclui: educação sexual universal nas escolas, serviços de planeamento familiar de acesso fácil e fornecimento de contracepção de emergência. Às mulheres talvez seja agora, finalmente, concedido o direito fundamental à sua própria decisão e à sua integridade psíquica ( incluindo durante o período de gravidez).

O que está em cima da mesa, não é um disputa entre a direitta e a esquerda, entre quem tem dinheiro e pode, se necessário, deslocar-se a uma clínica no estrangeiro e fazer um aborto e quem não pode reclamar de uma intervenção mal feita. Muito menos é uma contenda entre os que defendem a vida e os outros. O que está aqui em causa é tentar resolver um problema que existe. E que infelizmente mata. Fisicamente umas vezes, psiquicamente tantas outras.

Rui Pedro Batista, in Metro, 8 de Janeiro de 2007

Escolhi este artigo  por me parecer ser um bom exemplo de como se deve escrever uma opinião. É de salientar que, grosso modo, todo o artigo obedece a todas as regras de escrita do género: aparece sobre a rubrica de “ponto de vista” e o nome do jornalista aparece destacado, o que pressupõe logo que a visão do jornalista é importante; o tema é um tema central da actualidade e que merece, pois, especial atenção para alguns artigos de opinião. Todo o artigo nos remete para um ponto de vista de quem o escreve como podemos ver em expressões como ” é triste” e ” Mas pior!”, acompanhados de alguma ironia à mistura; é precisamente isso que diferencia um artigo de opinião de um artigo de análise, por exemplo, em que o jornalista se limitaria a expor dados relevantes sobre o aborto e fazer um interligação entre eles. O que verificamos aqui é precisamente o oposto, na medida em que conseguimos extrair daqui o seu juízo de valor e a partir daí formármos o nosso próprio pensamento. Parece-me que é um bom exemplo de como de faz bom Jornalismo.

Ana Cristina Queimado

«Grande Entrevista» a Jorge Sampaio

O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, foi o entrevistado de Judite de Sousa no programa «Grande Entrevista» de 4 de Janeiro.

É uma entrevista que, a meu entender, não acrescenta nada de novo, mas que permite fazer um balanço aos dez anos da presidência de Jorge Sampaio, nove meses após a sua saída de Belém. Sampaio fala do que mudou na sua vida privada, da relação que mantém com o actual Presidente da República e com o Primeiro-Ministro, do momento de transição que Portugal vive actualmente e de 2006 como um ano de revelações.

Como seria de esperar são abordadas as questões mais polémicas dos seus dez anos de mandato: a ida de Durão Barroso para a Presidência da Comissão Europeia; a nomeação de Pedro Santana Lopes para Primeiro-Ministro e a posterior dissolução do seu Governo; a maioria absoluta do PS; o Processo Casa Pia e a controvérsia em torno do antigo Procurador-geral da República, Souto Moura.

Nesta entrevista Sampaio coíbe-se de emitir opiniões sobre a forma como o país está a ser dirigido e, em resposta a Judite de Sousa, garante que não se voltará a candidatar à Presidência da República.

 

rtsp://195.245.176.21/rtpfiles/videos/auto/gentrevista/gentrevista_1_04012007.rm

[copiar link para ver a entrevista]

“Contra a demagogia”

Numa altura em que muito se fala sobre a percentagem que os jogadores profissionais de futebol devem descontar para o IRS, surge uma coluna na Revista Dez, do Record, em que João Marcelino, director do Correio da Manhã, critica severamente a posição de Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores. Apesar do tom corrosivo ser, na minha opinião, excessivo, o jornalista acaba por abordar, de uma forma directa, o outro lado da profissão, isto é, sem a encarar como a galinha de ovos de ouro. A coluna é polémica e pode ser encarada como um contributo importante para a discussão sobre o tema.

 “Eu acho que os futebolistas devem descontar para o IRS a 100% e não aceito nenhum dos argumentos do Sindicato dos Jogadores, replicados pela corporação e por outros que por lá passaram, e que aliás considero absolutamente hipócritas sempre que não são apenas destituídos por inteligência.

Primeiro, a tese da profissão de desgaste rápido. Por favor, poupem-me! Profissão de desgaste rápido é a dos mineiros. Esses homens, sim, saem das entranhas da terra com doenças que os levam dali para a morte, precoce, ou para uma vida sem qualidade. Os futebolistas, aos 30 e poucos anos, apenas deixam de ser atletas de alta competição. Continuam a ser pessoas, felizmente com saúde, e estão em muito boa idade para entrarem no mercado de trabalho. Para isso, aliás, ficam até com acrescidas possibilidades de êxito, uma vez que não só podem continuar ligados à indústria noutras posições (treinador, secretário-técnico, dirigente, empresário etc.) como estabelecem contactos sociais importantes no sentido de virem a fazer carreira nos negócios ou mesmo arranjarem um emprego (que é sempre uma boa maneira, e digna, de ganhar a vida). Felizmente, há inúmeros bons exemplos que podem ser apontados neste sentido.

Depois, e porque nestas alturas, bondosamente, os chamados “craques” se lembram de invocar os seus irmãos desprotegidos como o Marco, eu cito palavras do presidente do Sindicato, Joaquim Evangelista. Diz ele: “Num universo de 32 clubes da Liga, e de centenas de clubes das divisões inferiores, apenas cinco por cento dos futebolistas ganham muito dinheiro. Outros, que deixam de estudar para tentarem ser como os Cristianos Ronaldos, têm carreiras de dez anos e, no final, não têm preparação para outras profissões”.

Ao contrário do que pretenderia Evangelista, este é o argumento que me faltava. Eu explico: os ricos (jogadores) podem e devem pagar – penso que estamos todos de acordo, até ele. Aliás, a lei 32-B/2002 já dispunha, desde 2003, o incremento anual de 10% sobre o rendimento colectável como transição do regime de pagamento de 60% do IRS para os 100% em 2007. (A questão, se virmos bem, é saber se os clubes e atletas têm estado, ou não, a cumprir esta lei…).

Os outros futebolistas, aqueles que são tentados por uma arte para a qual não têm manifestamente capacidade (muitas vezes empurrados pelo apoio ganancioso e criminoso dos pais, que os autorizam a faltar à escola e a descurar o futuro), só terão a agradecer a todas as leis rigorosas que lhes façam equacionar o perigo de apostarem numa única actividade, ainda por cima datada em termos biológicos. O futebol deve deixar de ser pasto para indolentes que se encostam ao jogo da bola e passam dez anos da vida sem se preocuparem com o seu futuro e o das respectivas famílias. Pode jogar-se futebol e, ao mesmo tempo, acautelar uma futura via profissional. Há muito tempo para isso entre os treinos e os jogos. A tese contrária é indefensável e socialmente inaceitável.

Se a aplicação de um quadro legal justo, por igual para todos, afastar da profissão alguns pernas de pau sem as mínimas condições para ganharem a vida a jogar futebol, óptimo. Se esta legislação servir para ajudar esses mesmos rapazes a pensarem duas vezes antes de se atirarem à bola e requalificar o papel das respectivas famílias, melhor ainda.

O futebol é uma actividade de risco apenas e só na medida em que o são todas as outras. Por que é que a lei haveria de discriminar positivamente os rapazes que optam por prolongar a juventude pelos relvados adentro e teria de esquecer os que gostam de fazer esqui, de jogar golfe ou bowling, de serem artistas de circo ou dedicarem-se à música? Alguém me explica?”

Joana Paixão Brás