Archive for the 'Reportagem' Category

O Petróleo é um Lugar Estranho

A reportagem de João Morais “O Petróleo é um Lugar Estranho” (TSF, 19 de Janeiro), com montagem e sonorização de Luís Borges, é um bom exemplo de jornalismo radiofónico. Apesar dos seus 39 minutos, é quase impossível cansarmo-nos destas histórias de S. Tomé.

Começa assim: “Tal como o mar calmo que se enrola suave na marginal e na Baía de Ana Chaves, também S. Tomé permanece tranquilo e quase parado no tempo. Como se tivessemos recuado 30 anos ou talvez mais. As marcas do passado exibem-se um pouco por todo o lado, as avenidas são largas e sem trânsito e as vivendas baixas e de traços coloniais mostram, em muitos casos, o ar de abandono. Aqui neste paraíso, o segundo país mais pequeno de África, com cerca de 150 mil habitantes, o passado ainda é presente.”

Ao longo da reportagem, vamos ouvindo vários habitantes da capital, S. Tomé, e de terras vizinhas. As dificuldades por que passam vão ganhando voz, ao mesmo tempo que vai sendo traçada uma descrição da situação do país. Vamos viajando pela ilha e ouvindo relatos das vivências daquelas gentes. Mário tem um computador portátil e vai para a marginal para apanhar o wireless do hotel e pôr-se em contacto com amigos distantes. Um italiano está em S. Tomé há seis anos para produzir cacau e conta as dificuldades nas comunicações internas para o Príncipe, nas comunicações telefónicas e aéreas: só há uma viagem por semana para a Europa. Um português, Fernando Mendes, emigrou para S. Tomé e não quer sair de lá. O primeiro ministro quer requalificar locais de S. Tomé e deseja o perdão das dívidas externas. Um cozinheiro saiu do anonimato através do programa “Na roça com os tachos” e é o “agitador” do país. Um médico ucraniano da AMI fala da única ONG de saúde fora da capital. Um professor da Universidade Nova de Lisboa tirou o doutoramento sobre a malária de S. Tomé. Uma professora entusiasmada com o primeiro ano de ensino universitário no país. Enfim… há uma variedade de entrevistados e os assuntos são muito bem interligados.

Apesar do petróleo não ser alvo de destaque permanente em toda a reportagem, acaba por fazer a ligação entre os elementos e histórias contados, seja pela falta de gasolina a um s.tomense, seja pela qualidade da estrada em que se deslocam. Os últimos cinco minutos são dedicados à questão do petróleo. Para tal, são compiladas opiniões dos anteriores entrevistados.

E termina assim: “Além da cana do açúcar e do cacau, há uma nova palavra que começa a fazer parte do vocabulário são-tomense.” De uma forma muito criativa surge, como resposta a esta questão, uma professora a ensinar a palavra “petróleo” aos seus alunos. Vale a pena ouvir.

http://tsf.sapo.pt/online/common/include/streaming_audio_radio.asp?audio=/2007/01/noticias/19/rep19.asx

Joana Paixão Brás

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Kanimambo, Moçambique

“Uma coisa é estar a beber uma cerveja numa esplanada na Praia do Tofo, em Inhambane, 525 quilómetros a norte de Maputo, desviar o olhar do enxame de coqueiros para o mar e ver, nitidamente, uma baleia-corcunda a passear-se à superfície. Bem diferente é avistar, numa só investida submarina, sete tubarões-baleia (o maior peixe do mundo – chega a atingir 15 metros de comprimento – e o Santo Graal dos mergulhadores) e, a espreguiçarem-se de barriga ao sol, no limiar da água, três dezenas de mantas, a mais imponente das raias.”

in Única 19/10/06

 Também esta peça jornalística é do ano passado. Mas esta paisagem aqui descrita continua no mesmo sítio. Este “mundo” por descobrir que é África só está à espera da sua oportunidade para se dar a ver em todo o seu esplendor… Pronto não estou a ser isenta, sou suspeita para falar… porque trago em mim “sôdade”. Kanimambo (dialecto changane) significa obrigado. Este título não podia ser mais apropriado porque esta é uma reportagem que conta a história de alguns jovens portugueses que foram à procura de uma nova vida, aceitaram o desafio desta vida diferente, que é aquela vivida em África, e, hoje, não se arrependem. Encontraram uma nova casa e um novo modo de ser e de estar na vida. E porque também é “pelo sonho que vamos” é bom ler histórias com final feliz de pessoas de carne e osso.

Nós e a Finlândia

O “Em Reportagem” (RTP) desta quarta-feira, 13 de Dezembro, dedicou-se à comparação entre as sociedades portuguesa e finlandesa. Tendo como base a experiência de uma finlandesa a viver em Portugal e de um português a residir na Finlândia, a reportagem “Nós e a Finlândia” traça paralelos entre ambos os países nas mais variadas áreas: transportes, ordenado mínimo, entrada na União Europeia, taxa de inflação, valores/cultura, ensino, sistema de saúde, entre outros.

Além da criatividade na apresentação dos gráficos, da forma sucinta e clara das comparações, há pormenores que, na minha opinião, marcam positivamente a reportagem: o uso de um sofá vermelho, no qual se sentam a finlandesa e o português em Portugal e na Finlândia, respectivamente, funciona como elemento de ligação entre ambos, assim como a língua que utilizam para se expressar, o português. Por fim, o facto de serem entrevistados em locais paradigmáticos das capitais dos dois países (Catedral de Helsínquia e Torre de Belém, por exemplo) e de nos ser apresentado um dia na vida de cada transporta-nos para os locais e realidades tão distintos das sociedades nórdica e portuguesa.

http://www.rtp.pt/wportal/informacao/reportagem/

Aborto

O referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez aproxima-se e multiplicam-se os artigos, reportagens, sondagens e estudos sobre o tema. Até 11 de Fevereiro de 2007 a tendência mantém-se.

A TSF e a revista Visão noticiam, hoje, online os resultados do estudo da Associação para o Planeamento Familiar (APF) sobre as práticas do aborto em Portugal.

É interessante comparar a forma como cada um destes meios de comunicação dá a noticia e apresenta os dados do estudo.

 

“VISAOONLINE 13 Dez. 2006

Quase 15% das portuguesas já fizeram um aborto

 

Segundo as contas da Associação para o Planeamento da Família, cerca de 14,5% das mulheres entre os 18 e os 49 anos já fez uma interrupção voluntária da gravidez

De acordo com um estudo base sobre as práticas do aborto em Portugal, da Associação para o Planeamento da Família (APF), a apresentar esta quarta-feira, as portuguesas praticaram entre 17.260 a 18 mil abortos no último ano.

O inquérito – que envolveu 2 mil mulheres – revela que a grande maioria fez um único aborto e que cerca de 73% das que realizaram uma interrupção voluntária da gravidez (IVG) fizeram-no até às 10 semanas da gravidez.

O estudo, que será apresentado na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, indica que o grau de instrução não influencia na decisão da prática de aborto: 15,4% das praticantes de IVG tem o ensino básico, 13,2% o ensino secundário e 14,1% o ensino superior.

A religiosidade demonstra uma influência mais significativa, já que 16,7%o das mulheres que realizaram aborto eram não praticantes, 11,4% praticantes ocasionais e 2,6% praticantes frequentes.

O facto de serem muito jovens foi a razão que mais levou as mulheres a decidir abortar, decisão que a maioria classificou de muitíssimo difícil ou muito difícil.

O método de aborto mais utilizado foi a raspagem, seguido de comprimidos e aspiração. Em relação aos comprimidos, a maioria das mulheres arranjou-os através de uma pessoa amiga.

Segundo este estudo, 34,5% das mulheres teve necessidade de recorrer a um serviço de saúde para completar o aborto. As hemorragias são os problemas mais frequentes da IVG, seguidas de problemas emocionais. Para resolver estes problemas, as mulheres recorreram ao médico particular (31,9%) ou ao hospital (21,3%) e 27,4% teve necessidade de internamento.

Uma casa particular foi o local de realização do aborto mais indicado pelas mulheres que praticaram IVG, seguida de uma clínica privada e consultório público. O médico, seguido da parteira e do enfermeiro, foi o profissional mais indicado como autor da IVG.

A investigação da APF apurou ainda que 14,3% de mulheres que foram praticar a IVG a Espanha, realizando as restantes em Portugal.”

 

TSF ( 20:44 / 13 de Dezembro 06 )

18 mil abortos ilegais em Portugal em 2005

Na apresentação do estudo sobre a realidade portuguesa sobre o aborto ilegal, um estudo encomendado pela associação para o planeamento da família, a presidente da associação alerta para a falta de acompanhamento das mulheres após a Interrupção Voluntária da Gravidez.

Só ao ano passado devem ter sido realizados cerca de 18 mil abortos ilegais em Portugal. Um número que deve ser reduzido, avisa a presidente da associação Manuela Sampaio, pedindo que em Portugal se trabalhe para tornar o aborto seguro.

«Tornar o aborto raro e seguro e também mais humanizado», é uma prioridade em Portugal, sublinha a presidente da associação.

Manuela Sampaio sublinha ainda a solidão das mulheres após um acto que a deixa sem acompanhamento psicológico.

«O aborto é um acto que se pratica mediante pagamento, mas logo após o aborto a mulher é deixada ao abandono, confrontando-se com sentimentos de culpa e sem qualquer apoio psicológico», salienta a presidente da associação.”

 

 

A propósito deste estudo sugiro que vejam a excelente reportagem fotográfica “Aborto em Portugal” de João Carvalho Pina, fotógrafo da agência portuguesa Kameraphoto. Esta reportagem corrobora os resultados do estudo da APF e mostra “o rosto” de algumas das mulheres que já tiveram de recorrer à interrupção voluntária da gravidez.
http://www.kameraphoto.com/ [ página principal – últimas ]

 

 

MORTE ABALA MUNDO DA MODA

 

A brasileira Ana Carolina queria ser estrela. A anorexia roubou-lhe a vida aos 21 anos com 40 quilos, o peso de uma menina de 11 anos. Uma história de arrepiar. Por Eduardo Marini/PRENSA 3/BAINPIX Colaboraram: Aziz Filho, Camilo Vannuchi, Greice Rodrigues, Kátia Mello, Lena Cadstellón e Luciana Franca

Na infância, a paulista Ana Carolina Reston Marcan usava sempre a mesma resposta para fugir dos doces oferecidos pelos primos na piscina da chácara em que foi criada, em Jundiaí (SP). «Não quero, não quero. Vou engordar se comer doce, a moça falou na televisão. Quero ser modelo e não posso engordar.» Tinha oito anos, os olhos esmeralda, a pele alva, a perna fina, os dedos longos e a precoce certeza de quem havia decidido o seu caminho. Na casa de cinco quartos, desarrumava gavetas e armários para desfilar fazendo caras e bocas. Ela mergulhou fundo na determinação de conquistar os estúdios e as passarelas – e também na de comer pouco. Cada vez mais pouco. Tão fundo que encontrou rápido os estúdios e as passarelas do Brasil, do México, do Japão e da China, mas também uma anorexia nervosa devastadora e um violento processo de bulimia. E a morte. Tudo durou 13 anos. Na madrugada de terça-feira 14, aos 21 anos, Carolina morreu com apenas 40 quilos. Um espanto para quem tinha 1,72 metros de altura. Um peso mais apropriado para uma menina entre os 11 e os 12 anos e 25 centímetros a menos do que ela.”

Revista DOMINGO do Correio da Manhã, 26 de Novembro de 2006

Este é apenas um excerto da reportagem sobre a modelo brasileira Ana Carolina – a descrição rica e pormenorizada faz com que o leitor se prenda, desde logo, à estória. Move a sua sensibilidade, alertando-o para a gravidade de um problema: a anorexia.

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Reportagem no Público

«Da roça miserável à miséria da prostituição

A história começa, no outro lado do Atlântico, com uma jovem de barriga vazia e acabada, já desta lado com a menina feita mulher à força. E grávida. A história de Claire, nome artístico adoptado em Portugal, é igual à de muitas outras brasileiras que um dia trocaram a miséria das roças onde viviam, no interior do seu país, para, iludidas com promessas de emprego, acabarem em miseráveis casas de prostituição portuguesas. Manietadas por “agentes” ou “empresários” que diariamente lhes reclamam mais e mais dinheiro.»

Esta reportagem vem publicada no jornal Público de dia 22 de Novembro de 2006 e é assinada por José Bento Amaro. Quanto ao título, é um original jogo de palavras que dá logo a entender que o texto que se segue é, não uma notícia, mas uma reportagem, pela continuidade que sugere. Essa ideia é, também, retomada no lead, fazendo a ligação entre o texto e o título.

A reportagem vem no seguimento de um seminário que teve lugar em Alfragide sobre Tráfico e exploração sexual apresentado pela Polícia Judiciária. Esta informação poderia ter sido dada em forma de notícia, contudo, optou-se por partir de um caso específico, o de Claire, para abordar as conclusões desse relatório: «A saga de Claire assenta como uma luva no que ontem foi descrito, em Alfragide, (…)». Aliás, em todo o texto existe uma harmonia constante entre as informações relatadas no seminário e a experiência de vida da personagem; tudo o que a personagem viveu é documentado pela PJ, bem como tudo o que a PJ apresentou é exemplificado pela personagem.

Toda a reportagem caracteriza o sofrimento vivido pela personagem enquanto vítima de exploraçao e tráfico sexual e o fim vem, também, ele fechar o texto com essa caracterização: «A “liberdade” que diz ter conquistado desobriga-a de se deitar com todos quantos lhe apareçam pela frente. ” Não tenho uma boa situação [financeira], mas antes também não tinha e agora até posso sair quando quero.” Claire, que agora vive na margem Sul do Tejo, só deseja “voltar ao Brasil”, para a roça onde antes “ajudava na cana [-de-açúcar]”. Amealha com sofreguidão todos os euros que o companheiro ganha na construção civil.»

Cores a mais

Ninguém dorme até às cinco da manhã no Bairro Alto. Lixo e «graffitis» põem moradores à beira do ataque de nervos

Todas as manhãs, a empregada de limpeza do prédio com paredes de mármore da Travessa dos Fiéis de Deus pega num «spray» e num pano e esfrega com cuidado os «graffitis» da noite anterior. O condomínio, construído há quatro anos, é o único do Bairro Alto que escapa à praga dos borrões. As paredes lisas ajudam, mas não chega. “Pagamos entre todos à senhora da limpeza e a um segurança que está de serviço 24 horas por dia. É a única maneira de ter o prédio limpo.”, explica Maria, 37 anos, que nem se queixa do barulho à noite: “Temos vidros duplos e acabamos por nos habituar”. A estilista Fátima Lopes está no bairro há mais de nove anos e já desistiu: “Gastei fortunas com tinta anti-«graffitis» e tratamentos que não resultam. Mandei pintar as paredes dezenas de vezes e no dia seguinte está tudo sujo outra vez. Ando a promover o bairro e quando trago aqui as pessoas tenho isto para mostrar”. “Não são pessoas do bairro que fazem isto. É essa malandragem que vem para qui à noite. Eu nem saio de casa a partir das oito”, resigna-se Luísa Seixas, que foi para ali com sete anos e com 74 não tem nenhuma vontade de sair: “As minhas filhas moram no Cacém, já me disseram par air para o pé delas, mas eu não quero. É que de dia isto é outra coisa”. As centenas de «graffitis» são o símbolo da guerra entre os dois bairros: o de dia – dos velhotes que fazem compras nas merceeiras e dos miúdos a brincar na rua – e o da noite – com milhares de jovens que invadem as ruas à procura de cerveja barata nos inúmeros bares. “Dois dias depois de ter sido eleito, o dr. Santana Lopes fechou-e o bar por causa das queixas do barulho. Uma senhora que morava aqui em frente era a principal impulsionadora. Dizia que eu era rica e que tinha de lhe dar um apartamento de duas assoalhadas aqui no bairro, mas longe do barulho. Fechei e agora as senhoras dizem-me todas adeus e chamam-me Fatinha”, ri-se Fátima Lopes. O problema é velho e sem solução à vista. Num inquérito recente, a Junta de Freguesia perguntou aos moradores quais eram os principais problemas que os afectavam. O barulho nocturno e a sujidade das ruas e das paredes foram as respostas. “Ninguém manda nisto, estamos por nós”, acusa Vítor Castro, dono de dois restaurantes e presidente da associação de comerciantes. “Há pessoas que compram mercearias e transformam aquilo em bares para vender cerveja a um euro. Têm instalações pequenas e os clientes vão para a rua beber. É um máná. E por causa de uns pagam todos. Depois da meia-noite os taxistas recusam-se a entrar aqui para virem buscar os clientes do meu restaurante. Temos – nós e os moradores – de encontrar soluções”. O advogado Miguel Freitas mudou-se há três anos para um palacete na Rua do Norte. Nas últimas eleições liderou uma lista independente, conseguiu 19 votos e um lugar na assembleia da freguesia. Um ano depois não conseguiu fazer aprovar nenhuma medida proposta. Mas ainda tem ilusões. “O bairro está à beira da ruptura. Tem um potencial turístico e económico imenso, mas temos de fazer alterações profundas. Reconstruir as casas, conseguir mais segurança, atrair uma clientela diferente, com mais qualidade e as pessoas mais velhas do bairro podem não conseguir acompanhar. Por isso opõem-se”. Veio do Restelo, adora o bairro, mas já conhece o seu lado mais negro: “Já acordei duas vezes com tiros”. “Haxixe?”. Encostado à parede do infantário Abel Varzim, o «dealer» nem repara nas mães que vão buscar os miúdos à escola e oferece droga a quem passa. O seu dia vai começar.

Rui Gustavo in Expresso, 11 de Novembro de 2006

Considero que temos aqui um exemplo de uma boa reportagem, onde o autor teve a habilidade e criatividade de jogar tanto com a sua subjectividade como com o cuidado na preparação da informação. No fundo, trata-se do contar de uma história, segundo um ângulo escolhido pelo jornalista que a investigou. Feita a investigação, o jornalista parte dos factos e constrói uma história onde intercala citações dos personagens que nela participam. Nota-se o uso do estilo directo, a maior parte das vezes no tempo presente, havendo referência a episódios concretos, abundância de adjectivos, imagens, pormenores e expressões. Tudo isto é contado de acordo com a subjectividade de quem conta, sem, contudo, a narrativa deixar de ser objectiva e verídica no que respeita aos factos e aos acontecimentos. O leitor sente que capata a informação em directo, sendo transportado para o terreno. Vemos um lead não muito claro, o que serve para criar suspense e interesse. Contudo, apesar do lead ser sobretudo sugestivo, as palavras-chave (ninguém dorme, Bairro Alto, lixo, graffitis) estão lá. A descrição é algo pormenorizada, o que permite ao leitor um sentimento de identificação. A fluidez é uma constante, o que cria a sensação de um continuum. O 3º parágrafo é o parágrafo de contexto. São entrevistados vários personagens, com pontos de vista diferentes. Daqui podem-se antever as horas que o jornalista ocupou com a execução desta reportagem, também porque não há tanta pressão da actualidade como na notícia. As citações são narrativas e longas, havendo assim marcas da oralidade. Estas servem para continuar a estória e dar vivacidade ao texto. Por fim, a reportagem acaba em aberto, dando a ideia de que a estória pode continuar. O último parágrafo é assim sugestivo e forte, para motivar a leitura até ao final revelador.