Archive for the 'Rádio' Category

Haja Saúde!

Uma Grande Reportagem da jornalista Maria Augusta Casaca que vale a pena ouvir com toda a atenção…

Como lá chegar: www.tsf.pt (Arquivo Programas – Reportagem TSF – Ano 2006 – Haja Saúde).

Ana Maltez

“Sabor da Rádio no Papel”

Diário de Notícias, 22 de Fevereiro de 2007

Secção Media

Por Ana Pago

 

 

Lançado ontem na Net pela Rádio Renascença, o “Página 1” assume-se como o primeiro jornal “online” do País concebido por uma emissora para adaptar ao papel os conteúdos radiofónicos. Duas edições diárias (às 12.30 e 17.30), formato pdf e critério tempo definem a essência da ideia.

 

            No início era o som, a voz – vocação original da Rádio Renascença. Depois veio o texto e o vídeo, a reforçar a informação no site. E esta percepção de que “temos de ser cada vez mais multimédia”, segundo palavras do director de informação da Renasçenca, Francisco Sarsfiedl Cabral, a emissora lançou ontem na Net o jornal Página 1, inédito no País por adaptar ao suporte papel os conteúdos produzidos para a rádio.

            “A ideia nasceu de uma reflexão interna da casa: sabendo qual a tendência noticiosa no estrangeiro, queríamos dar aos nossos ouvintes uma nova forma de ouvir/ler a mesma Renascença de sempre”, conta ao DN Pedro Leal, chefe de redacção da antena e o grande impulsionador do projecto. “Há que explorar todas as capacidades multimédia que o ciberjornalismo permite”.

            Sem esquecer que o objectivo principal é a rádio, o Página 1 está disponível em www.rr.pt, com as principais notícias da actualidade compiladas em duas edições diárias (às 12.30 e 17.30). O formato pdf permite ao utilizador descarregar facilmente os conteúdos em papel, dando outros contornos ao conceito de “portabilidade” do breaking news.

            “Ás horas de almoço e de saída dos empregos, a coincidir com ambas as edições do dia, qualquer pessoa pode imprimir o seu jornal para ler no caminho”, precisa Pedro Leal, satisfeito com o que considera ser um “passo pioneiro no sentido de casar o papel com a radiofonia”. A partir daqui, é só uma questão de acertar procedimentos e coordenar o Página 1 com o trabalho de redacção.

            “Acreditamos que o projecto é útil para os utilizadores e marca uma etapa única no panorama radiofónico português, por ser o primeiro do género”, sustenta Sarsfield Cabral, preparado desde já para a adaptação linguística e estrutural que se segue. Enquanto director – cargo que divide com a adjunta Graça Franco –, acredita na coesão da equipa e no trabalho de Pedro Leal, Raquel Abecasis, Ângela Silva ou Aura Miguel, a acumular funções na rádio e no novo jornal. “O caminho do futuro é cada vez mais este”, justifica. “Não inventámos nada”.

           

           

Corrida(s) contra o tempo

            Inspirado nos exemplos do Guardian (com o jornal G24) e do El País (24 Horas), o Página 1 insere-se na linha de projectos editoriais do grupo Renascença para este ano. A lógica, essa, é só uma: “As primeiras notícias a cair nas horas da edição são as primeiras a aparecer no jornal”, diz Pedro Leal, que aposta ainda nos exclusivos da rádio. O tempo e o imediato dominam, agora. Sinais de que o texto começa sempre por ser voz.

 

 

______________________________

 

Maria João Ganhitas

O Petróleo é um Lugar Estranho

A reportagem de João Morais “O Petróleo é um Lugar Estranho” (TSF, 19 de Janeiro), com montagem e sonorização de Luís Borges, é um bom exemplo de jornalismo radiofónico. Apesar dos seus 39 minutos, é quase impossível cansarmo-nos destas histórias de S. Tomé.

Começa assim: “Tal como o mar calmo que se enrola suave na marginal e na Baía de Ana Chaves, também S. Tomé permanece tranquilo e quase parado no tempo. Como se tivessemos recuado 30 anos ou talvez mais. As marcas do passado exibem-se um pouco por todo o lado, as avenidas são largas e sem trânsito e as vivendas baixas e de traços coloniais mostram, em muitos casos, o ar de abandono. Aqui neste paraíso, o segundo país mais pequeno de África, com cerca de 150 mil habitantes, o passado ainda é presente.”

Ao longo da reportagem, vamos ouvindo vários habitantes da capital, S. Tomé, e de terras vizinhas. As dificuldades por que passam vão ganhando voz, ao mesmo tempo que vai sendo traçada uma descrição da situação do país. Vamos viajando pela ilha e ouvindo relatos das vivências daquelas gentes. Mário tem um computador portátil e vai para a marginal para apanhar o wireless do hotel e pôr-se em contacto com amigos distantes. Um italiano está em S. Tomé há seis anos para produzir cacau e conta as dificuldades nas comunicações internas para o Príncipe, nas comunicações telefónicas e aéreas: só há uma viagem por semana para a Europa. Um português, Fernando Mendes, emigrou para S. Tomé e não quer sair de lá. O primeiro ministro quer requalificar locais de S. Tomé e deseja o perdão das dívidas externas. Um cozinheiro saiu do anonimato através do programa “Na roça com os tachos” e é o “agitador” do país. Um médico ucraniano da AMI fala da única ONG de saúde fora da capital. Um professor da Universidade Nova de Lisboa tirou o doutoramento sobre a malária de S. Tomé. Uma professora entusiasmada com o primeiro ano de ensino universitário no país. Enfim… há uma variedade de entrevistados e os assuntos são muito bem interligados.

Apesar do petróleo não ser alvo de destaque permanente em toda a reportagem, acaba por fazer a ligação entre os elementos e histórias contados, seja pela falta de gasolina a um s.tomense, seja pela qualidade da estrada em que se deslocam. Os últimos cinco minutos são dedicados à questão do petróleo. Para tal, são compiladas opiniões dos anteriores entrevistados.

E termina assim: “Além da cana do açúcar e do cacau, há uma nova palavra que começa a fazer parte do vocabulário são-tomense.” De uma forma muito criativa surge, como resposta a esta questão, uma professora a ensinar a palavra “petróleo” aos seus alunos. Vale a pena ouvir.

http://tsf.sapo.pt/online/common/include/streaming_audio_radio.asp?audio=/2007/01/noticias/19/rep19.asx

Joana Paixão Brás