Archive for the 'Online' Category

“Sabor da Rádio no Papel”

Diário de Notícias, 22 de Fevereiro de 2007

Secção Media

Por Ana Pago

 

 

Lançado ontem na Net pela Rádio Renascença, o “Página 1” assume-se como o primeiro jornal “online” do País concebido por uma emissora para adaptar ao papel os conteúdos radiofónicos. Duas edições diárias (às 12.30 e 17.30), formato pdf e critério tempo definem a essência da ideia.

 

            No início era o som, a voz – vocação original da Rádio Renascença. Depois veio o texto e o vídeo, a reforçar a informação no site. E esta percepção de que “temos de ser cada vez mais multimédia”, segundo palavras do director de informação da Renasçenca, Francisco Sarsfiedl Cabral, a emissora lançou ontem na Net o jornal Página 1, inédito no País por adaptar ao suporte papel os conteúdos produzidos para a rádio.

            “A ideia nasceu de uma reflexão interna da casa: sabendo qual a tendência noticiosa no estrangeiro, queríamos dar aos nossos ouvintes uma nova forma de ouvir/ler a mesma Renascença de sempre”, conta ao DN Pedro Leal, chefe de redacção da antena e o grande impulsionador do projecto. “Há que explorar todas as capacidades multimédia que o ciberjornalismo permite”.

            Sem esquecer que o objectivo principal é a rádio, o Página 1 está disponível em www.rr.pt, com as principais notícias da actualidade compiladas em duas edições diárias (às 12.30 e 17.30). O formato pdf permite ao utilizador descarregar facilmente os conteúdos em papel, dando outros contornos ao conceito de “portabilidade” do breaking news.

            “Ás horas de almoço e de saída dos empregos, a coincidir com ambas as edições do dia, qualquer pessoa pode imprimir o seu jornal para ler no caminho”, precisa Pedro Leal, satisfeito com o que considera ser um “passo pioneiro no sentido de casar o papel com a radiofonia”. A partir daqui, é só uma questão de acertar procedimentos e coordenar o Página 1 com o trabalho de redacção.

            “Acreditamos que o projecto é útil para os utilizadores e marca uma etapa única no panorama radiofónico português, por ser o primeiro do género”, sustenta Sarsfield Cabral, preparado desde já para a adaptação linguística e estrutural que se segue. Enquanto director – cargo que divide com a adjunta Graça Franco –, acredita na coesão da equipa e no trabalho de Pedro Leal, Raquel Abecasis, Ângela Silva ou Aura Miguel, a acumular funções na rádio e no novo jornal. “O caminho do futuro é cada vez mais este”, justifica. “Não inventámos nada”.

           

           

Corrida(s) contra o tempo

            Inspirado nos exemplos do Guardian (com o jornal G24) e do El País (24 Horas), o Página 1 insere-se na linha de projectos editoriais do grupo Renascença para este ano. A lógica, essa, é só uma: “As primeiras notícias a cair nas horas da edição são as primeiras a aparecer no jornal”, diz Pedro Leal, que aposta ainda nos exclusivos da rádio. O tempo e o imediato dominam, agora. Sinais de que o texto começa sempre por ser voz.

 

 

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Maria João Ganhitas

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O Mirante – diário online

Uma das apostas mais recentes de O MIRANTE, jornal regional com as maiores circulação e tiragem do país, foi a criação de vídeos disponíveis no diário O MIRANTE online. Apesar de estar na fase inicial, o projecto parece ter pernas para andar (e para melhorar). É  interessante.

(Consultar Arquivo Vídeos em www.omirante.pt )

Joana Paixão Brás

Circo Pós-Natal e Contra-Aborto

Ano novo, discussão velha, aliás a cair de podre, tanto pelo tempo que se prolonga como pelos argumentos bolorentos e campanhas pestilentas. Portugueses a favor do Aborto: sim ou não? Um coisa é certa a favor do circo montado em praça pública: sempre!

Esta peça está incluída na secção nacional e está de parabéns por, no meio das imensas peças sobre o aborto..escrever mais uma. Mas escreve-a com originalidade, uma boa fluidez narrativa, alías excelente ritmo, lida como quem vai seguindo uma história e dando sorrisinhos tipo”típico é mesmo isto” “pois é o país que temos”. Tem um pertinente humor, boa escolha de adjectivos e citações, muito ao jeito das caracteristicas do género de opinião.Lisboa 15.01.07

DN.pt – Nacional

“Vamos pedir ao Senhor pelas grávidas em perigo”
Pedro Correia
Leonardo Negrão (imagem)

Junto à estátua de D. José, o rei que expulsou os jesuítas de Portugal, algumas dezenas de católicos juntaram-se ontem de manhã para rezar o terço, atraindo as atenções dos raros turistas indiferentes à névoa fria que pairava sobre o Terreiro do Paço. Pastoreados pelo padre Dehoniano Macedo, pároco da igreja do Loreto, ao Chiado, intercalavam as rezas com cânticos ritmados em louvor à Virgem. Mais mulheres que homens, mais idosos que jovens, todos irmanados num propósito: “Alertar as consciências das pessoas para combater esse mal que é o aborto.” Palavras de uma paroquiana do padre Macedo, apostado neste conjunto de iniciativas “para dar mais visibilidade” ao combate ao aborto. A pensar no referendo de 11 de Fevereiro. “Começámos na noite de Natal e vamos prosseguir”, assegura o sacerdote, dizendo que a ideia partiu “de várias pessoas” que costumam escutá-lo na missa dominical.

Uma imagem da Senhora de Fátima foi colocada em destaque, na base da estátua de Machado de Castro, erigida no Terreiro do Paço a 12 de Outubro de 1833. Eram tempos funestos para os católicos portugueses: grassava a guerra civil entre absolutistas e liberais, no ano seguinte as ordens religiosas seriam expulsas do País. Mas o espectro da História não demovia o padre Macedo: “Decidimos vir para aqui por ser uma praça bonita, ampla e emblemática”, justifica ao DN, enquanto recebe saudações de várias mulheres que minutos antes haviam orado com ele – várias delas, pertencentes à Comunidade Emanuel, ajudaram a conferir mais vibração aos cânticos.

Mas esta não era uma celebração do terço como qualquer outra. Nas breves palavras que dirigiu aos fiéis, o padre Macedo não deixou lugar a dúvidas: aquela reunião matutina à beira-Tejo, desafiando o nevoeiro e a humidade de Janeiro, destinava-se a “defender a vida e os direitos de qualquer ser humano, nascido ou por nascer”.

Os católicos congregados na praça mandada construir por um ilustre maçon chamado Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido por Marquês de Pombal, são activos militantes antiaborto. Para tornar este facto ainda mais notório, uma senhora distribuía folhetos com versículos da Bíblia. Com uma frase de Jeremias: “Antes de te haver formado no ventre materno, Eu já te conhecia; antes que saísses do ventre de tua mãe, Eu te consagrei.” E esta, extraída dos Salmos: “Na verdade, Tu me tiraste do seio materno; puseste-me em segurança ao peito de minha mãe. Pertenço-Te e desde o ventre materno; desde o seio de minha mãe, Tu és o meu Deus.”

Equilibrada a imagem sobre um manto votivo, duas guitarras ajudaram a soltar ainda mais as vozes: “Avé Maria, sê nosso refúgio / toma as nossas preces / e pede a Deus por nós.” Algumas mãos erguiam-se para os céus, outras seguravam nos rosários. Antes de ser rezado o terceiro mistério, ficou evidente o que ali atraía aqueles paroquianos do Loreto e outros templos de Lisboa. “Vamos pedir ao Senhor por todas as mães que estão em perigo e todas as grávidas que estão em perigo. Porque estão sozinhas, são maltratadas, e não sabem o que vão fazer aos filhos que têm e aos filhos que estão por nascer”, escutou-se no Terreiro do Paço, onde ontem os pombos pareciam tolhidos pelo frio.

O fruto das entranhas

Mais um cântico. Nos folhetos que circulavam de mão em mão, destacava-se uma frase de Isaías: “Acaso pode uma mulher esquecer-se do seu bebé, não ter carinho pelo fruto das suas entranhas? Ainda que ela se esquecesse dele, Eu nunca te esqueceria.” E evocavam-se palavras de João Paulo II sobre o aborto: “Reivindicar o direito ao aborto e reconhecê-lo legalmente equivale a atribuir à liberdade humana um significado perverso e iníquo: o significado de um poder absoluto sobre os outros e contra os outros. Mas isto é a morte da verdadeira liberdade.”

O terço evoluía, entrava-se enfim no quinto e derradeiro mistério: “Vamos pedir a intercessão pelo futuro das nossas gentes, dos nossos jovens, das nossas crianças. Para que seja afastada da nossa sociedade qualquer ameaça de morte.”

Os cânticos surgiam mais ritmados, havia quem lesse outra citação dos Salmos: “Quando os meus ossos estavam a ser formados, e eu, em segredo, me desenvolvia, tecido nas profundezas da terra, nada disso Te era oculto. Os teus olhos viram-me em embrião. Tudo isso estava escrito no Teu livro.”

Logo após a Salve Rainha, cantada, o padre Macedo fez uma alusão inequívoca ao referendo. Para que não restassem dúvidas de qualquer espécie: “Até ao dia 11, vamos cada vez mais pedir a Nossa Senhora que nos dê o dom da vida.” Terminava a celebração com este apelo. E logo nas conversas informais que ali irromperam surgiram frases espontâneas em que era evidente a oposição geral daqueles católicos à despenalização do aborto.

Casais de turistas, curiosos, acercavam-se do grupo: as freiras ali presentes foram muito fotografadas, entre dois planos do arco da Rua Augusta. Passavam ciclistas, fardados a preceito para dar ao pedal. Um peruano tocava para ninguém ouvir no outro extremo da praça. Prestes a ser desmontada, a “maior árvore de Natal da Europa”, paga por uma instituição bancária, ainda foi a tempo de assistir a tudo isto.

Esta é uma peça do Diário de Noticias digital, já me repito no orgão mas faz parte da minha leitura diária e gosto das escolhas e escritas. Um amén ás minhas escolhas tendênciosas…e um bem haja ao Dn.

Ana Jerónimo

Natal época dos “Porquês”

Peça que mesmo não sendo um exemplo de jornalismo de qualidade e de escrita perfeita é um exemplo do espírito que se deve ter não só no natal…de perguntar, de pesquisar, de olhar curiosidades e de ver factos, de brincar com as palavras e as coisas, de ter a idade dos porquês mais estranhos em certos momentos, de usar um toque de humor bom e q.b, de contar harmoniosamente histórias…porque o natal é um dia de pequenas histórias.

Peça que pode não ser o melhor exemplo de bom jornalismo, mas sabe bem partilhar aqui.
E o natal também é partilha!

Dn.pt
Dn Tema 24- 12-06

Rute Araújo

Oito perguntas e mitos sobre o dia de Natal

Rute Araújo

Quando é realmente noite de Natal?

É como festejar o aniversário de alguém no dia errado, no mês errado e nem sequer acertar na idade do aniversariante. Sempre que o Ocidente cristão se senta à mesa, na consoada, para celebrar o nascimento do Menino Jesus, é isso que acontece. Ninguém sabe exactamente quando Cristo nasceu, há muitas datas possíveis, mas certo é que não foi a 25 de Dezembro.

“Pensa-se que terá sido em Setembro, porque foi durante um recenseamento e houve um naquele mês. Agora, a data exacta não se conhece”, explica o sociólogo das religiões Moisés Espírito-Santo. Não se sabe e, até ao século V, não era importante. “O que era celebrado era a aparição do Menino aos de fora, aos não judeus, o dia da epifania, que é a 6 de Janeiro”. Foram os romanos que mudaram o calendário das celebrações. “A data de 25 de Dezembro apareceu para cobrir uma festa pagã muito popular em todo o Império, o culto do Sol, no solstício de Inverno”. Festa com festa se paga e Constantino, o primeiro imperador cristão, sabia o que fazia quando decidiu trocar as voltas ao povo, dando origem a uma das celebrações mais importantes de hoje. Quanto ao dia do nascimento, por mais que se cruzem dados, não ficaram muitas pistas que permitam encontrar a resposta. “Naquele tempo, a idade tinha muito pouco valor. As pessoas podiam viver e morrer sem saber quantos anos tinham.” Jesus Cristo tinha 33, mas terá morrido mesmo no ano 33 depois de Cristo? Se o dia e o mês do nascimento são um quebra-cabeças, já o ano é consensualmente errado. Cristo nasceu antes de Cristo. Seis anos. E só um erro no calendário explica o sucedido. Se quiser decorar o bolo-rei com velas, não se engane. Compre 2012.
Os astrónomos de hoje acumulam o conhecimento de muitos séculos a olhar para os céus, e já viram um pouco de tudo. Mas a descrição que o Evangelho de Mateus faz da Estrela de Belém não bate certo com nenhum fenómeno astronómico conhecido. Não era um pássaro. Não era avião. O que apareceu nos céus aos reis magos podia ser muita coisa, mas também não era uma estrela. A melhor tradução para o texto sagrado seria astro, a palavra única dos romanos para algo que está para lá da Terra. “Cientificamente, nunca saberemos o que foi, não temos dados para fazer uma reconstituição fiel”, afirma o astrofísico Rui Agostinho. Este episódio apenas é descrito numa passagem breve de um dos evangelhos, e “o texto é parco em detalhes e conhecimento científico”. Do que se lê, percebe-se que a descrição do movimento da Estrela de Belém “não é como o movimento diurno que um astro normalmente tem”. Surgiu no Ocidente, desapareceu, voltou a surgir. E parou sobre o estábulo onde Jesus tinha nascido. “Ora, nos céus, não há nada que possa parar.” Além disso, lembra Rui Agostinho, “não foi um fenómeno deslumbrante, porque não chamou a atenção do povo judeu. Quando questionado sobre se viu a Estrela, Herodes responde: “Nós aqui não vimos nada”. O que mostra que passou despercebido, não teve um forte impacto visual. O astrofísico diz que há apenas uma explicação possível, mas é “muito muito remota”. Acontece quando Júpiter e Vénus passam ao pé um do outro, alinhados na vertical, dando a ilusão de um objecto luminoso. Chama-se conjunção tripla de planetas e é quase tão rara que pode ser mitológica. Como a Estrela de Belém.

É possível uma virgem engravidar?

O assunto é do domínio da fé, mas a ciência não o contraria. A doutrina cristã diz que Jesus foi concebido no útero da sua mãe, sem que tenha havido qualquer contacto com um pai humano. À luz das leis do mundo animal, é possível a uma fêmea conceber sozinha um filho? Sim, pelo menos teoricamente. E não seria inédito.

O fenómeno ocorre em várias espécies, dos lagartos aos peixes, e já foi verificado também em ratinhos. Chama-se partenogénese, uma palavra que vem do grego e significa precisamente parto virgem. Desenvolve-se um embrião, sem que tenha ocorrido fertilização do óvulo, em animais que, por estratégia de sobrevivência ou adversidade do meio ambiente, evoluíram para uma reprodução assexuada.

Mário de Sousa, especialista em genética e medicina de reprodução, explica que, no ser humano, “também é teoricamente possível, mas não existe nenhum caso descrito nem sequer previsão do risco de algo do género acontecer”. Diz o especialista que a mulher pode ovular e o ovócito pode dividir-se e tornar-se maduro sem que tenha havido contacto com espermatozóides. As leis da vida não o impedem. Neste ponto, ciência e religião estão de acordo. Mas o mesmo não acontece com o resultado final de uma gravidez nestes moldes.

No livro sagrado, Jesus nasceu da Virgem Maria e é homem. No livro da ciência, Jesus podia nascer da Virgem Maria, mas seria sempre mulher. Sem pai, não há cromossoma Y a cruzar-se com os cromossomas X femininos, nem forma de uma criança nascer do sexo masculino.

Pode o Pai Natal entregar numa só noite todos os presentes?

Se o seu filho lhe perguntar como é que o Pai Natal percorre o mundo inteiro numa noite, o melhor é pôr de parte as explicações científicas. Desde 1850 que os especialistas tentam embrulhar o mito numa fórmula científica realista. Os cálculos realizados mostram aquilo que todos intuem: o Pai Natal não tem uma vida fácil. A começar pela carga que transporta no seu trenó, qualquer coisa como 400 mil toneladas de presentes, na melhor das hipóteses. Como cada rena consegue apenas carregar 150 quilos, precisaria de 360 mil se quisesse manter a tradição e não recorrer a motores supersónicos. Além do peso, enfrenta o problema do tempo. Como apenas conta com as horas de sono das crianças, restam-lhe 31 horas para completar o serviço, beneficiando da ajuda dos fusos horários e da rotação da Terra. Divididas as horas por todos aqueles que esperam receber presentes a 25 de Dezembro – existem dois mil milhões de crianças, mas só 108 milhões de lares estão à sua espera – o velhinho de barbas teria de fazer perto de mil visitas por segundo. O que lhe dá apenas 715 microssegundos para estacionar o trenó, descer pela chaminé, deixar os presentes, comer alguma coisa que lhe tenham deixado, voltar a subir a chaminé, entrar no trenó e seguir para a próxima casa. Para que não haja atrasos, teria de deslocar-se a uma velocidade de 1046 quilómetros por segundo, mais ou menos três mil vezes a velocidade do som. As consequências da energia gerada por tamanha velocidade são inimagináveis. Mas não será difícil perceber que o transformariam e às suas renas em carvão. Por isso, se o seu filho lhe perguntar, deixe a ciência de lado.

Quantos quilómetros viaja o bacalhau para chegar ao seu prato?

Exactamente 2730,86 quilómetros em linha recta, a distância que separa a capital da Noruega, de onde vem a maioria do bacalhau consumido, da capital de Portugal. Mas o bacalhau não chega assim tão facilmente à sua mesa, percorre mais quilómetros, normalmente fica retido em Ílhavo, onde estão as fábricas que o transformam no peixe seco e salgado que se vende nos supermercados. Todos os anos, são importadas cerca de 8o mil toneladas, já chegaram a ser mais de cem mil. Cada português come, em média, oito a nove quilos.

Mesmo assim, não tome o bacalhau que lhe chega todos os Natais ao prato como algo adquirido. Há mais de uma década que o peixe que se tornou prato tradicional anda a lutar pela sobrevivência. E mesmo com os limites impostos à captura, não recuperou da pesca intensiva das últimas décadas.

É que não se trata de uma espécie de fácil reprodução. O bacalhau atinge a idade adulta aos quatro anos, mas só a partir dos seis a fêmea chega à maturidade reprodutiva. Cada uma produz milhões de ovos em cada ano, mas apenas um em cada milhão sobrevive até à idade adulta. Há registo de peixes capturados com 27 anos, mas são a excepção. Hoje, tem um carimbo que lhe confere a categoria de “espécie vulnerável”. E muitos acreditam que só conseguirá voltar aos stocks de outros tempos se deixar mesmo de ser pescado. Os mares da Terra Nova, no Canadá, são o motivo de maior preocupação. Se estiver preocupado e não conseguir imaginar um Natal sem bacalhau, o melhor é apostar no peru. Pelo menos, até que os mares do norte se encham novamente de peixes.

Porque é que, nesta altura, há uma árvore de Natal na sua sala?

Diz-se que foi escolhido por ser a árvore verde que se destaca na imensidão da neve, a única que não perde as folhas por mais frio que seja o Inverno. Mas a tradição do pinheiro rapidamente viajou para os locais onde não há neve, não há frio e o verde é a cor predominante na paisagem de Natal. Impôs-se a tradição, nascida do cruzamento entre do católico e o pagão, e exportou-se a ideia para o mundo.

A lenda diz que, 800 anos depois de Cristo, São Bonifácio encontrou, na Alemanha, um grupo de pagãos a adorar uma árvore. Enfurecido, decidiu cortá-la e, do tronco decepado, nasceu um novo pinheiro. Aos olhos de Bonifácio, foi o sinal de que aquela terra de pagãos seria semeada pela fé de Cristo. A forma triangular do pinheiro encaixou na perfeição na simbologia cristã, com os três pontos a representar a Santíssima Trindade. Foi o início da tradição natalícia. No século XVI, os primeiros pinheiros enfeitados foram transportados para o interior das casas. A estrela, as velas e as luzes, tudo foi acrescentado a pensar na celebração do nascimento e da vida.

Mas não faltam lendas e histórias sobre árvores enfeitadas, muitas delas sem ligação à época natalícia. Na Idade Média, quem acreditava que as árvores tinham os seus espíritos, enfeitava-as logo que as primeiras folhas começavam a cair no Outono, para que eles não partissem em debandada. Os romanos celebravam o solstício de Inverno enfeitando as casas com plantas verdes, cujos ramos ofereciam em Janeiro. Os egípcios prestavam culto a tudo o que nascesse verde. Com ou sem Natal, a árvore representa a natureza e o triunfo da vida sobre a morte.

Alguma vez temos realmente uma noite feliz?

Não é possível fingir que ele não existe. Está em cada rua enfeitada, nas músicas dos elevadores, é motivo de conversas, notícia nos jornais, pretexto para mensagens de telefone e e-mails de boas-festas. Mesmo querendo, ninguém consegue fugir ao Natal. “Há um esforço quase mundial para que seja um dia feliz. O movimento da sociedade é de tal forma poderoso que é impossível ficar imune. Não se consegue não assumir uma posição, nem que seja de oposição ou indiferença”, diz a psicóloga Gabriela Moita.

O problema é que quem imaginou o Natal, imaginou-o feliz. E quando a realidade não se adequa às expectativas? “Para muita gente é o momento de maior infelicidade do ano”, porque não há forma de o mundo encaixar no que se imaginou para a época.

Os consultórios dos psicólogos e psiquiatras enchem-se nesta altura. “Em Novembro, já começam as dores de cabeça. Chega-nos muita gente com sintomatologia depressiva ou de ansiedade, porque antecipam a obrigação de estar num contexto familiar que lhes é muito agressivo”, porque têm que fazer escolhas sobre onde passar o Natal, porque acabam por ser obrigados a estar com quem têm relações difícil. Se a época gira em volta da partilha, da paz e da harmonia, “há uma maior reflexão sobre isto”. E aumenta a angústia de viver o oposto. Se é um dia para estar junto de quem se gosta, surgem as lembranças de quem está ausente, se é dia de harmonia, é mais difícil tolerar os conflitos, se há obrigação de ser feliz, suporta-se menos a dor. “Quando é bom, é bom, mas quando é mau é muito mau”, sintetiza Gabriela Moita.

No Natal, queremos paz e amor ou só presentes?

Palmas para o Noddy

 Infantis e Tv  a mais
                            Tv e Infantilidade a menos
 

“Crianças identificam-se com os super-heróis”chega a propósito das crianças que têm sempre propósito,  do natal e da televisão que faz os nossos e os seus próprios propósitos.Por que Bom Jornalismo é aquele que mais do que escrever, relatar, bem, é aquele que procura, detecta, questiona e aponta bem, certeiramente o que está bem…ou, e sobretudo o que está mal.E a nossa televisão para as nossas crianças…está bem assim? Ou vai estando…é que enquanto nós por cá vamos indo…as nossas crianças vão crescendo e se formando com a televisão que temos.

E na tradicional batalha pela junção do informar e formar junta-se o entreter os espectadores neste caso crianças que brincam cada vez menos na rua e sentam-se cada vez mais em casa em frente ao televisor, será que os pais estão atentos e conhecem bem o amigo que brinca horas seguidas com o seu filho? 

Dn.pt  17.12 .06

Entreter é a palavra de ordem na hora de ver desenhos animados. A acção adquire outra força quando as crianças entram em período de férias, como o do Natal, a partir de amanhã.Para a psicóloga Teresa Andrade, faz parte do desenvolvimento das crianças, aguça-lhes os sentidos. “Os mais novos reagem às cores fortes, à música, aos estímulos tridimensionais que os ensinam a relacionar-se com o mundo”, explica ao DN a especialista, que vê no Noddy o exemplo mais bem conseguido. “Tem bons psicólogos por detrás, é um fenómeno.”Mas nem tudo o que os miúdos vêem tem a inocência de Noddy ou voluntarismo de Ruca. Os mais velhos procuram “diversão e modelos de interpretação da realidade”. E aqui reside o perigo: “As crianças vêem TV em excesso, os pais acompanham-nas pouco, elas absorvem tudo de igual modo, sem perceber as diferenças.” E se o Panda anuncia as séries, o Cartoon Network, “a que assistem por curiosidade, por ser fruto proibido”, já não faz isso. “E tem desenhos muito violentos, como o Stupid Dog ou o Cow & Chichen“, alerta. “É preciso ter cuidado.”

Ciente dos excessos, também Rui Cádima, docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, defende a necessidade de investir os pais de um papel primordial no acompanhamento dos filhos enquanto espectadores.

Os tempos televisivos aceleraram nos últimos anos, a percepção e as imagens tornaram-se vertiginosas. Porém, “o que as crianças de hoje procuram é o mesmo que procuravam as crianças e jovens de antigamente, os valores são os mesmos”, defende José Navarro de Andrade, coordenador da SIC Kids – o espaço que engloba todos os conteúdos infanto-juvenis da estação de Carnaxide. E, concretiza: “Continua-se a querer heróis que sirvam de modelo, o bem definido e a ganhar ao mal, actos positivos que divirtam e, ao mesmo tempo, sirvam de referência na vida real.”

Atentas, as grelhas dos vários canais procuram responder à exigência dos públicos a que se destinam, do pré–escolar à adolescência. Diferentes nas suas especificidades e nos programas que seleccionam, acabam, todavia, por cruzar valores e estratégias de acção, temas, comportamentos e até mesmo séries e personagens.

“O facto de sermos uma estação de serviço público leva-nos a ter que dar especial atenção aos públicos jovens – a lei refere especificamente programas vocacionados para a formação, informação e bem-estar, que defendam a liberdade, a solidariedade e a compreensão. Mas tudo isso acaba por ir ao encontro do que as crianças procuram”, sustenta Teresa Paixão, responsável pelo departamento de programas infanto-juvenis da RTP, nomeadamente o espaço Zig Zag (na 2.

A coordenadora reconhece a necessidade de “uma maior dedicação aos conteúdos pré-escolares, dado que os canais privados contemplam menos esta faixa etária”. Ainda assim, diz, nada disso é impedimento. “As crianças procuram mais ou menos todas o mesmo, hoje como no passado. Faz parte do crescimento.” Até aos quatro anos buscam a tranquilidade, a beleza, o colorido, “querem figuras e ambientes amorosos, calmos, musicais”. Depois surge a procura da aventura, de uma certa irreverência, do humor.

“É natural que haja coisas que passem de moda, séries que caiam para dar lugar a outras. Mas haverá sempre uma identificação com os super-heróis”, garante Teresa Paixão, ciente de que o seu papel na estação pública passa, em parte, por saber escolher “aqueles que dão a vida e não os que a tiram”. José Navarro de Andrade concorda: “Os valores da animação mantêm-se, o que eu via com sete anos é o que a minha filha quer ver hoje.”

E se o SIC Kids aposta “nitidamente em crianças mais velhas” do que aquelas que vêem Noddy, Bob, o Construtor ou Teletubbies, a verdade é que “tem de ter sempre em conta as diferenças de públicos para lhes dar resposta”. É essa a tendência.

Segmentar para vencer

Os canais infanto-juvenis em geral, incluindo o Panda, Disney Channel, Nickelodeon e Cartoon Network, seguem uma lógica da segmentação. “A malha de penetração dos programas é mais fina, pensada em termos do género e faixa etária a que se destina”, refere Navarro de Andrade, vendo nisso um sinal “da tal aceleração” da actualidade.

“As nuances são diferentes, a sociedade muda, mas as séries acompanham-nas”, resume Teresa Paixão. E apesar de as crianças serem “muito mais maduras agora”, conforme acredita a directora do Canal Panda, Isabel Mimoso, “na hora de definir a programação o que mais conta para nós são os valores positivos como a família, a amizade, a imaginação e o de-senvolvimento social e intelectual”, assegura. Incontornáveis são também os princípios que regem os conteúdos do Nickelodeon. “Bonecos como o Spongebob, líder do canal, o Avatar, o Danny Phantom, a deslizar como um fantasma, ou o Jimmy Neutron, no seu foguetão de protões ionizados, são todos irreverentes, não violentos e inteligentes”, frisa o responsável pela programação do canal, José Pedro Carvalho. Apostando nos clássicos da Disney que encantam gerações (Dumbo ou Bambi), em filmes como As Crónicas de Narnia ou Mary Poppins e em programas de criatividade, também o Disney Channel (canal codificado do cabo) faz a apologia da alegria, da família e da magia.

“A variedade da oferta de entretenimento infantil tem crescido muito. E as crianças só têm a ganhar com a diversidade dos vários canais, visto que podem optar e compor elas mesmas a sua grelha de programação”, reitera José Pedro Carvalho, dando voz aos outros coordenadores (público e privados). “Acho que realmente existe uma complementaridade entre os canais infantis”, apoia Isabel Mimoso, reconhecendo o público jovem como o mais difícil, por ser “curioso e ávido” de novidades. E, no fundo, “cada canal encontra o seu espaço.”

Dn.pt  http://dn.sapo.pt/2006/12/17/tema/criancas_identificamse_os_superheroi.html 
Bom exemplo pelo tema, questões que coloca, lados que ouve, citações escolhidas, organização de ideias.

Ana Jerónimo

Jardim acusa juizes TC de colaborarem com “ataque colonialista” do PS

“O presidente do PSD-M, Alberto João Jardim, acusou hoje os juízes do Tribunal Constitucional de colaborarem na agressão “colonialista” do Governo da República contra a Região Autónoma da Madeira.

Ao discursar na festa de Natal dos sociais-democratas madeirenses, Alberto João Jardim disse que a Madeira está “perante o maior ataque colonialista desde que a Constituição em 1976 estabeleceu a autonomia política da Madeira”. “Esse ataque colonialista é feito com violação da Constituição, é feito com violação do Estatuto Político Administrativo da Região Autónoma e é feito contando com as posições políticas dos juízes do Tribunal Constitucional”, acrescentou.

As declarações surgem pouco mais de um mês depois de o líder nacional d o PSD, Marques Mendes, anunciar no Funchal que o partido pediria “a apreciação prévia da constitucionalidade do diploma”. “Se a lei for aprovada como está, se o Governo teimar em não fazer alterações, se se mantiverem as inconstitucionalidades já detectadas, os deputados do PSD pedirão de imediato ao Tribunal Constitucional a apreciação prévia da constitucionalidade desta lei”, declarou na altura o líder do PSD.

A Lei foi aprovada dia 30 de Novembro na Assembleia da República pelo PS e com a abstenção do CDS/PP.

O PSD-M considera que a lei está ferida de inconstitucionalidade por atentar contra o Estatuto Político Administrativo – uma lei para-constitucional – ao não cumprir o preceito que estabelece que o valor das transferências do Orçamento de Estado não podem ser inferiores às do ano anterior.

Para 2007, as transferências do Estado para a Madeira levam um corte de 34 milhões de euros.

João Jardim alertou para os tempos difíceis que a Madeira vai ter de enfrentar, mas pediu “cabeça fria” mas sem “palavrinhas doces” porque o momento é de “luta contra o Governo de José Sócrates”. “Não há que fazer o jogo daqueles que na área do PSD também querem estar a comer da gamela do sistema político”, sublinhou.

Referiu que o adversário principal está definido – “o inimigo número um do povo madeirense é o senhor Sócrates, o Senhor Santos e seus colaboracionistas”. “Nós vamos participar em todas as lutas políticas, em todas as lutas sociais, em tudo o que seja desencadeado para ajudar a derrubar o Governo Sócrates “, disse.

Segundo a organização, o jantar de Natal do PSD-M contou com cerca de 1500 participantes.”

 10.12.2006 – 08h18   Lusa, PUBLICO.PT  

De frisar que é uma notícia de agência (publicada on-line), o que desde logo que suscitou curiosidade por ser algo que ainda aqui não foi postado. A peça segue uma ordem lógica de ideias, tendo em conta a pirâmide invertida, pelo que se torna acessível e permite uma leitura esclarecedora.

O uso de citações está muito bem definido e acaba por reforçar ou esclarecer a ideia principal de cada parágrafo. Sendo uma notícia publicada on-line destaque-se o uso do “hoje” no início da peça, algo que acaba por ser impossível de aparecer num jornal diário, que utiliza quase sempre o “ontem”.