Os tiros da GNR

“Num mundo perfeito, governado pelo Bloco de Esquerda, o aborto seria com certeza livre, o consumo de drogas feito à mesa dos cafés, os homossexuais casariam e criariam os filhos dos outros, a eutanásia viria a caminho e com certeza que a GNR, ou qualquer outra polícia, se a houvesse para além da prestação de serviços de trânsito, seria impedida de disparar  sem um requerimento à tutela. Admito mesmo que, excepcionalmente, e em caso de desobediência a este princípio, fosse permitida a pena de morte para todos os agentes que ousassem incomodar os criminosos em fuga. Mas, até chegarmos a esse limbo de degradação política e moral, o que haveremos de fazer para compatibilizar a imperiosa necessidade de segurança com o respeito pela vida, até de terceiros? Leio no Público, a propósito dos recentes disparos de militares da GNR, que Clemente Lima, responsável pela Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI), pensa ser «mais sensato», no caso de uma transgressão com fuga à polícia, «deixá-los fugir» do que provocar mortes. Estamos perante uma bela utopia! Como pode, sob pressão e em poucos minutos, com a polícia ainda na idade da pedra no que se refere à utilização de meios informáticos, um agente saber que persegue criminosos seniores ou apenas jovens candidatos? Como se faz essa destrinça? E deve o agente esperar pelo primeiro tiro, que o atinja, para depois actuar? O caso é sério. E, como tal, deve ser discutido seriamente, sem a habitual demagogia do Bloco (que quer já António Costa no Parlamento), nem o aplauso pelo advento de um Estado securitário e policial. É evidente que os agentes devem ter uma formação continuamente melhorada e cada vez mais profissional, devem ser preparados para exercitar o sangue-frio. Quem dispara tem de ser alvo de um processo rigoroso e sério, até para se ter a certeza de que não o fez de forma fácil e leviana. Mas eu não quero viver num País onde a polícia deixe de se ralar, onde os agentes, para não terem chatices, deixem fugir criminosos ou quem se porte como tal. O respeito pelo trabalho policial é meio caminho andado para que não haja muitas situações como as dos últimos dias no Norte. O laxismo é um bom anestesiante para se fracturar uma sociedade. Não é, com toda a certeza, o remédio para lhe dar saúde.”

João Marcelino, Director Editorial in Revista Sábado, nº 128 (semana de 12 a 18 de Outubro de 2006)

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