Reportagem no Público

«Da roça miserável à miséria da prostituição

A história começa, no outro lado do Atlântico, com uma jovem de barriga vazia e acabada, já desta lado com a menina feita mulher à força. E grávida. A história de Claire, nome artístico adoptado em Portugal, é igual à de muitas outras brasileiras que um dia trocaram a miséria das roças onde viviam, no interior do seu país, para, iludidas com promessas de emprego, acabarem em miseráveis casas de prostituição portuguesas. Manietadas por “agentes” ou “empresários” que diariamente lhes reclamam mais e mais dinheiro.»

Esta reportagem vem publicada no jornal Público de dia 22 de Novembro de 2006 e é assinada por José Bento Amaro. Quanto ao título, é um original jogo de palavras que dá logo a entender que o texto que se segue é, não uma notícia, mas uma reportagem, pela continuidade que sugere. Essa ideia é, também, retomada no lead, fazendo a ligação entre o texto e o título.

A reportagem vem no seguimento de um seminário que teve lugar em Alfragide sobre Tráfico e exploração sexual apresentado pela Polícia Judiciária. Esta informação poderia ter sido dada em forma de notícia, contudo, optou-se por partir de um caso específico, o de Claire, para abordar as conclusões desse relatório: «A saga de Claire assenta como uma luva no que ontem foi descrito, em Alfragide, (…)». Aliás, em todo o texto existe uma harmonia constante entre as informações relatadas no seminário e a experiência de vida da personagem; tudo o que a personagem viveu é documentado pela PJ, bem como tudo o que a PJ apresentou é exemplificado pela personagem.

Toda a reportagem caracteriza o sofrimento vivido pela personagem enquanto vítima de exploraçao e tráfico sexual e o fim vem, também, ele fechar o texto com essa caracterização: «A “liberdade” que diz ter conquistado desobriga-a de se deitar com todos quantos lhe apareçam pela frente. ” Não tenho uma boa situação [financeira], mas antes também não tinha e agora até posso sair quando quero.” Claire, que agora vive na margem Sul do Tejo, só deseja “voltar ao Brasil”, para a roça onde antes “ajudava na cana [-de-açúcar]”. Amealha com sofreguidão todos os euros que o companheiro ganha na construção civil.»

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