Entrevista a José Saramago no “SOL” pág.2

A escolha desta entrevista de José Fialho Gouveia a José Saramago no semanário SOL é pertinente pelo peculiar carácter do entrevistado, pelas perguntas pertinentes e particulares (típicas deste tipo de entrevista no semanário) e pelas respostas tantas vezes surpreendentes.

Em primeiro lugar gostaria de destacar a frase escolhida para “título” da entrevista: “Não cumprimento Cavaco Silva”. Este título chama a atenção do leitor para algo que parece não ser possível. Um prémio Nobel da Literatura não cumprimentar o Presidente da República é algo suficientemente tentador para exigir uma leitura mais aprofundada da entrevista.  De seguida, chamo a atenção para as frases destacadas numa coluna em separado: “Marques Mendes parece-me uma coisa estranha”, “Santana Lopes é um imbecil”, “Não tenho orgulho em Durão Barroso”, “Nunca houve comunismo no mundo”, “Vivemos numa plutocracia, o governo dos ricos”, “A globalizaçao é um novo topo de totalitarismo”, “Os seres humanos não são de fiar” e “A política de Sócrates não é socialista”. Como se pode verificar são declarações polémicas, o que para quem conhece um pouco de José Saramago não é algo que se estranhe. No entanto, esta coluna surge também como incentivo à leitura, revelando os pontos-chave da entrevista.

 Ao folhear o semanário, apercebemo-nos que se trata de uma entrevista curta, com o objectivo de descobrir pequenas curiosidades e opiniões polémicas. O “nariz de cera” da entrevista é curto e claro: “JOSÉ Saramago, que lançou esta semana o livro Pequenas Memórias – um relato da sua infância e adolescência -, trocava o Nobel por mais 15 anos de vida, com esperança de o voltar a ganhar”. Cria algum suspense e curiosidade.

Em relação às perguntas realizadas podemos facilmente verificar que denotam uma busca incessante pela novidade, pela controvérsia (pela qual o entrevistado é muito conhecido) e pela polémica. Ao ler toda a entrevista descobrimos um pouco mais sobre o escritor e, principalmente, sobre a sua visão da política e dos seus actuais e principais intervenientes. Não deixa de ser curioso que, apesar de José Saramago ter lançado o seu livro esta semana, nenhuma das perguntas se refiram ao mesmo, o que não deixa de ser também surpreendente mas que não faz com que a entrevista perca qualidade.

Quem leia atentamente a entrevista verifica a existência de uma espécie de diálogo entre entrevistador e entrevistado, e este chega mesmo a fazer uma pergunta à qual o entrevistador responde. É curioso este tipo de entrevista que, semanalmente o SOL publica, sempre com um intuito polémico e gerador de controvérsia. Busca a novidade, acima de tudo. Vale a pena ler.

 Disponível em http://sol.sapo.pt/EdicaoImpressa/10/1Caderno.aspx

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