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O referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez aproxima-se e multiplicam-se os artigos, reportagens, sondagens e estudos sobre o tema. Até 11 de Fevereiro de 2007 a tendência mantém-se.
A TSF e a revista Visão noticiam, hoje, online os resultados do estudo da Associação para o Planeamento Familiar (APF) sobre as práticas do aborto em Portugal.
É interessante comparar a forma como cada um destes meios de comunicação dá a noticia e apresenta os dados do estudo.
“VISAOONLINE 13 Dez. 2006
Quase 15% das portuguesas já fizeram um aborto
Segundo as contas da Associação para o Planeamento da Família, cerca de 14,5% das mulheres entre os 18 e os 49 anos já fez uma interrupção voluntária da gravidez
De acordo com um estudo base sobre as práticas do aborto em Portugal, da Associação para o Planeamento da Família (APF), a apresentar esta quarta-feira, as portuguesas praticaram entre 17.260 a 18 mil abortos no último ano.
O inquérito – que envolveu 2 mil mulheres – revela que a grande maioria fez um único aborto e que cerca de 73% das que realizaram uma interrupção voluntária da gravidez (IVG) fizeram-no até às 10 semanas da gravidez.
O estudo, que será apresentado na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, indica que o grau de instrução não influencia na decisão da prática de aborto: 15,4% das praticantes de IVG tem o ensino básico, 13,2% o ensino secundário e 14,1% o ensino superior.
A religiosidade demonstra uma influência mais significativa, já que 16,7%o das mulheres que realizaram aborto eram não praticantes, 11,4% praticantes ocasionais e 2,6% praticantes frequentes.
O facto de serem muito jovens foi a razão que mais levou as mulheres a decidir abortar, decisão que a maioria classificou de muitíssimo difícil ou muito difícil.
O método de aborto mais utilizado foi a raspagem, seguido de comprimidos e aspiração. Em relação aos comprimidos, a maioria das mulheres arranjou-os através de uma pessoa amiga.
Segundo este estudo, 34,5% das mulheres teve necessidade de recorrer a um serviço de saúde para completar o aborto. As hemorragias são os problemas mais frequentes da IVG, seguidas de problemas emocionais. Para resolver estes problemas, as mulheres recorreram ao médico particular (31,9%) ou ao hospital (21,3%) e 27,4% teve necessidade de internamento.
Uma casa particular foi o local de realização do aborto mais indicado pelas mulheres que praticaram IVG, seguida de uma clínica privada e consultório público. O médico, seguido da parteira e do enfermeiro, foi o profissional mais indicado como autor da IVG.
A investigação da APF apurou ainda que 14,3% de mulheres que foram praticar a IVG a Espanha, realizando as restantes em Portugal.”
“TSF ( 20:44 / 13 de Dezembro 06 )
18 mil abortos ilegais em Portugal em 2005
Na apresentação do estudo sobre a realidade portuguesa sobre o aborto ilegal, um estudo encomendado pela associação para o planeamento da família, a presidente da associação alerta para a falta de acompanhamento das mulheres após a Interrupção Voluntária da Gravidez.
Só ao ano passado devem ter sido realizados cerca de 18 mil abortos ilegais em Portugal. Um número que deve ser reduzido, avisa a presidente da associação Manuela Sampaio, pedindo que em Portugal se trabalhe para tornar o aborto seguro.
«Tornar o aborto raro e seguro e também mais humanizado», é uma prioridade em Portugal, sublinha a presidente da associação.
Manuela Sampaio sublinha ainda a solidão das mulheres após um acto que a deixa sem acompanhamento psicológico.
«O aborto é um acto que se pratica mediante pagamento, mas logo após o aborto a mulher é deixada ao abandono, confrontando-se com sentimentos de culpa e sem qualquer apoio psicológico», salienta a presidente da associação.”
A propósito deste estudo sugiro que vejam a excelente reportagem fotográfica “Aborto em Portugal” de João Carvalho Pina, fotógrafo da agência portuguesa Kameraphoto. Esta reportagem corrobora os resultados do estudo da APF e mostra “o rosto” de algumas das mulheres que já tiveram de recorrer à interrupção voluntária da gravidez.
http://www.kameraphoto.com/ [ página principal – últimas ]
Paulo Portas e Maria Antonieta no Blog do SoL
Publicado Dezembro 13, 2006 Crónica , Opinião 1 Commentsábado, 16 de Setembro de 2006 1:12
«No leito conjugal, Luís XVI tem erecções muito condicionadas. Introduz o membro, por ali fica sem se mexer talvez dois minutos e retira-se sem nunca finalizar o acto. Depois diz: ‘bonsoir Madame’ e parece contente». Quem assim descrevia o modestíssimo comportamento do rei de França era o enviado da sua apavorada sogra, admitido ao quarto e à cópula com a estrita missão de verificar as culpas. Sete anos de infertilidade punham a improvável aliança entre a Áustria e a França em risco. O relatório não aparece no soberbo filme de Sofia Coppola mas consta da soberba biografia de Antonia Fraser.
A sogra era Maria Teresa, em cujos ombros recaíam a coroa húngara por herança e o trono do Sacro Império por casamento. A velha imperatriz já trouxera ao mundo nada menos do que dez arquiduquesas e quatro arquiduques quando – entre dois despachos de Estado – nasceu Maria Antónia. Péssimo augúrio ter visto a luz no dia de finados e mau presságio receber aquele nome que três vezes mudaria: a pequena e bela Maria Antónia seria Maria Antonieta por mania francesa e morreria só Antonieta, porque os revolucionários – cela va sans dire – odiavam a Virgem Maria. Fiel aos usos do tempo, Maria Teresa via na maternidade um ofício, em cada filha um tratado e em cada neto uma carta de conforto. Pois o neto francês é que não vinha. Maria Teresa admoestava a filha – que fosse dócil, que fosse sedutora, que fizesse carícias e, sobretudo, que obrigasse o marido a dormir no «leito conjugal». Ora, na quitada tradição de Versalhes, o rei e a rainha podiam dormir em quartos separados, o que só prova que os costumes mais progressistas têm sempre um lado reaccionário. Resultado: Maria Antonieta acordava (quase) sempre sozinha. O problema estava no rapaz: em Luís XVI «a apatia é um estado natural», escreveu o cunhado; revela «uma imbecilidade inamovível», definia o primo que, aliás, era pior de carácter.
O jovem Bourbon nada herdara do majestático Luís XIV nem do concupiscente Luís XV, seu avô. Só se interessava por caçar e era tão lúcido que, no dia em que o Antigo Regime caiu, anotou no seu diário – «rien». Se no filme de Sofia Coppola há uma trama – eu acho que há uma estética esfuziante, transbordante, total – é a trama do casamento, não a da revolução. De resto, o ‘povo’ – quer dizer, a parcela do povo que foi ao palácio –, só dá entrada no filme ao minuto 101. Com o propósito de explicar que Maria Antonieta nunca disse aquilo dos brioches; o dislate é de uma infanta espanhola de outros tempos. E já que o filme tinha de acabar, então era melhor que o ‘povo’ acabasse com ele como acabou com a monarquia. Nada mais linear nos planos da filha de Coppola. Ela só queria fazer um filme sobre um mundo à parte – Versalhes – e sobre uma miúda no seu meio – Maria Antonieta. Foi o que fez, sem vénia ao cinema comprometido.
Viena era mais à frente mas não está lá. O que se vê é uma profusão infinita, não me lembro de outra igual, de bailes e máscaras e frescos e cómodas e dosséis, e vestidos e corpetes e lenços e sedas e sapatos, e champagnes e couverts e doces e chocolates e faisões e salmões. «Deus está nos detalhes», diria Lloyd Wright. Só gosta deste filme quem gosta de detalhes.
A música é a poção mágica. Barroco com new wave, clássico mais new romantic. Vá lá alguém convencer aquela cabecinha de Robespierre que há em metade dos franceses a aceitar os New Order no Trianon, os Bow Wow Wow em Versalhes ou os The Cure não longe da Bastilha. Mas Sofia Coppola já tinha avisado nas Virgens Suicidas. Ela é som.
Apupos, assobios (e alguns aplausos). Sofia devia estar alucinada quando pensou levar o filme a Cannes. Trop c’est trop. Até umas sapatilhas All Star aparecem. E logo a zombar da Revolução Francesa, cuja história oficial é sectária, xenófoba e, claro, bastante mentirosa. Nela, Maria Antonieta é a ‘austríaca’ (a estrangeira, portanto). Belzebu de saias, foi chamada de tudo em panfletos anónimos: ladra, burra, ninfo, lésbica, tola, desalmada, sei lá que mais. Morreu guilhotinada depois de uma acusação monstruosa (incesto) e de um julgamento sumário (o advogado de defesa foi logo detido). Acontece – nas revoluções.
Já o insuspeito Eric Rohmer em A Inglesa e o Duque mostrou onde terminam as hordas em tumulto e as multidões em marcha. Terminam, invariavelmente, em novas tiranias e maiores terrores. Qualquer bom liberal – qualquer bom conservador – é um céptico sobre revoluções: deve evitá-las se puder, preveni-las se souber, contê-las se outro remédio não houver. Eu sou tão pouco revolucionário que nem sequer aprecio contra-revoluções. O filme poupa-nos esse debate, é pura obra.
Kirsten Dunst é excelente enquanto Maria Antonieta. Sem enfado nem pretensão histórica, o filme aproxima-se mais da verdade. Ela era inconsciente da realidade? Claro, como qualquer miúda de 14 anos. Frívola? Nem mais nem menos do que qualquer delfina no seu meio. Gastadora? Também generosa. Infiel? Talvez, mas leal. E também era divertida, inteligente q.b. e ecológica, qualidades que manifestamente Luís não tinha. Mozart adorava-a e sonhou casar com ela. Má sorte ter nascido para Rainha: a mãe queria que ela «fizesse tanto bem aos franceses que a lembrassem como um anjo». Afinal, 217 anos depois, mostrá-la tal qual era ainda é um escândalo do caraças.
Artigo disponível em:http://sol.sapo.pt/blogs/pportas/default.aspx
Liberdade criativa, humor, sarcasmo e ironia são aspectos que se destacam nesta crónica narrativo-descritiva, que apresenta uma linguagem conotativa e pessoal, gerando cumplicidade com o leitor.
A.R. Nascimento
A crónica de Rodrigo Guedes de Carvalho da Única de 8 de Dezembro, intitulada “O Sangue dos Outros”, aborda a morte no jornalismo, incidindo sobre o valor-notícia da proximidade. Num texto meta-jornalístico, o cronista questiona as distintas formas como se noticiam as mortes de acordo com a proximidade ou identidade.
A questão de que “sangue de um dos nossos vale mais atenção do que muito sangue de muitos outros” tem sido discutida no mundo jornalístico (e não só), mas aqui surgem novas, inteligentes (e ingénuas diria, talvez ironicamente, o seu autor) perguntas: será que “o dos nossos” não poderá ser um “bom sacana” e “muitos dos outros” “amigável gente de bem”? “Uma morte horrível” não será “sempre uma morte horrível”?
Eis o texto:
“Claro que ainda me dói a memória dos jovens jornalistas despenhados no Chile. Ou o jovem alpinista perdido lá no alto. A estupidez de certas mortes. Destino canalha. Que sejam a honrosa e justificada excepção de uma regra que sempre me causou confusão em mais de 20 anos de jornalismo. Assim que soa a campainha de um telex de última hora, daqueles que anunciam desgraças longínquas, um comboio que descarrilou, um avião que falhou a aterragem, um sequestro que deu para o torto fatal, logo se levantam as cabeças na Redacção: e há portugueses? Se sim, começam telefonemas, procura-se detectar família que possa chorar em directo mais logo. Se não, encolhem-se ombros e volta-se à vidinha. Até está instituído um consensual humor negro. Desgraça em África ou na Ásia, só se trouxer mortos às centenas. Mas um simples acidente em França ou no Luxemburgo, com meia dúzia de falecidos ou feridos ligeiros, pode trepar para manchete se houver um vestígio de sangue português, ainda que seja do chamado luso-descendente. Pode nem arranhar a nossa língua, basta o bisavô materno ter emigrado de Cucujães com tenra idade. Quando comecei a trabalhar, espantado com estas distinções, elucidaram-me os chefes sobre o jornalismo de proximidade. Não é cá exclusivo do burgo, vejam-se as notícias pela Europa fora e Estados Unidos. Ainda que pequeno, sangue de um dos nossos vale mais atenção do que muito sangue de muitos dos outros. Às vezes ocorre-me, com aquela maçadora mania de questionar tudo, que bem pode acontecer que aquele descendente de portugueses que simplesmente se arranhou na Venezuela ou no Paquistão era conhecido por ser um bom sacana. E que, em contrapartida, aquela família nigeriana despedaçada inteira num massacre era amigável gente de bem. O jornalismo gosta de dizer que não faz distinções, mas esquece-se de admitir que a medida de uma notícia é por vezes um passaporte. Ingénuo, pensava eu que uma morte horrível é sempre uma morte horrível.”
*Joana Paixão Brás
Jardim acusa juizes TC de colaborarem com “ataque colonialista” do PS
Publicado Dezembro 10, 2006 Notícia , Online Leave a Comment“O presidente do PSD-M, Alberto João Jardim, acusou hoje os juízes do Tribunal Constitucional de colaborarem na agressão “colonialista” do Governo da República contra a Região Autónoma da Madeira.
Ao discursar na festa de Natal dos sociais-democratas madeirenses, Alberto João Jardim disse que a Madeira está “perante o maior ataque colonialista desde que a Constituição em 1976 estabeleceu a autonomia política da Madeira”. “Esse ataque colonialista é feito com violação da Constituição, é feito com violação do Estatuto Político Administrativo da Região Autónoma e é feito contando com as posições políticas dos juízes do Tribunal Constitucional”, acrescentou.
As declarações surgem pouco mais de um mês depois de o líder nacional d o PSD, Marques Mendes, anunciar no Funchal que o partido pediria “a apreciação prévia da constitucionalidade do diploma”. “Se a lei for aprovada como está, se o Governo teimar em não fazer alterações, se se mantiverem as inconstitucionalidades já detectadas, os deputados do PSD pedirão de imediato ao Tribunal Constitucional a apreciação prévia da constitucionalidade desta lei”, declarou na altura o líder do PSD.
A Lei foi aprovada dia 30 de Novembro na Assembleia da República pelo PS e com a abstenção do CDS/PP.
O PSD-M considera que a lei está ferida de inconstitucionalidade por atentar contra o Estatuto Político Administrativo – uma lei para-constitucional – ao não cumprir o preceito que estabelece que o valor das transferências do Orçamento de Estado não podem ser inferiores às do ano anterior.
Para 2007, as transferências do Estado para a Madeira levam um corte de 34 milhões de euros.
João Jardim alertou para os tempos difíceis que a Madeira vai ter de enfrentar, mas pediu “cabeça fria” mas sem “palavrinhas doces” porque o momento é de “luta contra o Governo de José Sócrates”. “Não há que fazer o jogo daqueles que na área do PSD também querem estar a comer da gamela do sistema político”, sublinhou.
Referiu que o adversário principal está definido – “o inimigo número um do povo madeirense é o senhor Sócrates, o Senhor Santos e seus colaboracionistas”. “Nós vamos participar em todas as lutas políticas, em todas as lutas sociais, em tudo o que seja desencadeado para ajudar a derrubar o Governo Sócrates “, disse.
Segundo a organização, o jantar de Natal do PSD-M contou com cerca de 1500 participantes.”
10.12.2006 - 08h18 Lusa, PUBLICO.PT
De frisar que é uma notícia de agência (publicada on-line), o que desde logo que suscitou curiosidade por ser algo que ainda aqui não foi postado. A peça segue uma ordem lógica de ideias, tendo em conta a pirâmide invertida, pelo que se torna acessível e permite uma leitura esclarecedora.
O uso de citações está muito bem definido e acaba por reforçar ou esclarecer a ideia principal de cada parágrafo. Sendo uma notícia publicada on-line destaque-se o uso do “hoje” no início da peça, algo que acaba por ser impossível de aparecer num jornal diário, que utiliza quase sempre o “ontem”.
Pólo Cultural – pai do Fantasporto abraça novo projecto
Aposta na diferençaMário Dorminsky não pára e actualmente dorme apenas três horas por noite. Ao pelouro da Cultura e do Turismo da Câmara de Gaia, do qual é vereador, junta ainda o acompanhamento do festival FantasPorto, organizado pela Cooperativa Cinema Novo – que fundou.Este homem da Cultura prepara-se entretanto para abraçar um novo projecto, também no âmbito da Cinema Novo. Trata-se do pólo cultural MediaPlex, que pretende oferecer um espaço de cultura e lazer ao Porto que vai apostar na descoberta e na diferença, ao mesmo tempo que reanima o centro da cidade.“É muito difícil gerir tudo. Nem ao cinema tenho ido, por falta de tempo”, admitiu Dorminsky ao CM, questionado sobre as suas múltiplas actividades. Mas nem por isso abranda o ritmo. “Agora dou mais valor aos momentos que tenho só para mim”, disse.
É precisamente o gozo pessoal que lhe dá o projecto MediaPlex que o leva a participar e a contribuir para o seu nascimento. A inauguração daquele que pretende ser um verdadeiro centro cultural está prevista para 16 de Fevereiro de 2007.
“A aposta não é arriscada. É uma aposta na diferença. O público que é atraído pelo cinema, na maioria um público jovem, procura mais do que o cinema comercial americano”, explicou o pai do Fantas.
Assim vai nascer no antigo complexo de salas Castello Lopes, do Central Shopping “a primeira estrutura da Europa totalmente preparada para o cinema digital”, que vai apostar principalmente no cinema alternativo. Distribuídos por seis salas vão estar os vários ‘cinemas’ (ver caixa), a estreia da semana – cinema comercial, mas “de qualidade” – e ainda curtas apresentações em jeito de ‘showcase’.
Mas nem só de cinema vive o MediaPlex. Exposições, debates, música e teatro também vão ter lugar no novo espaço, voltado para o audiovisual. “A aposta mais arriscada do MediaPlex é o facto de só trabalhar com cinema digital, porque a maior parte das distribuidoras portuguesas ainda não funciona assim”, concluiu Dorminsky.
SEIS SALAS E MUITOS ‘CINEMAS’
Começou por se chamar MoviePlex, mas a multiplicidade de valências que vai albergar acabou por levar à alteração do nome para MediaPlex.
O cinema é a principal aposta do pólo cultural, mas a literatura, o teatro, a música e as exposições vão ajudar a complementar a programação. As salas Castello Lopes, do Central Shopping, estão fechadas há dois anos, mas vão ser reconvertidas pelo arquitecto Pais Vieira para se adaptarem ao projecto MediaPlex.
O complexo é composto por seis salas, onde vão ser distribuídos os diferentes tipos de cinema. A sala maior, com cerca de 400 lugares, vai acolher os espectáculos musicais e também a única onde vai ser exibido cinema comercial.
Nas restantes cinco salas – mais pequenas – vão ser distribuídos as diferentes cinematografias: cinema europeu – com grande destaque para o português –, asiático, independente norte-americano e curtas apresentações, numa espécie de café-concerto.
PERFIL
Mário Dorminsky nasceu a 30 de Abril de 1955 em Paranhos, Porto. É casado com Beatriz Pacheco Pereira e tem um filho, de 22 anos, João, designer gráfico. Ficou conhecido como o pai do conhecido festival FantasPorto, de que foi director. É o vereador da Cultura e do Turismo da Câmara de Gaia e também director da cooperativa Cinema Novo, que fundou.
Marta Martins Silva
Este perfil está construído num formato relativamente pequeno, mas com um lead que capta a atenção do leitor através do pormenor das três horas de sono e da quantidade abundante de coisas que o perfilado faz; por outro lado recorre a uma entrevista ao mesmo e a informações sobre as suas actividades, de forma a completar a informação necessária a uma perspectiva mais informativa.
Ao mesmo tempo, e tendo em conta que o perfil se encontra na secção Cultura, é também um veículo de divulgação, numa espécie de hibridação entre a notícia e o perfil. Por fim, as informações de carácter mais biográfico e que são de menor relevância para o tema aqui tratado vêm no fim da notícia, condensadas de forma a permitir um rápido relance pelas origens do perfilado.
“Diz que não vai ter posição pública sobre o aborto, mas defende que a actual lei “é boa”. É contra a legalização da prostituição e contra as quotas, porque não se sentiria bem a ocupar um lugar apenas para “cumprir uma percentagem”. Eis Maria Cavaco Silva, sem tabus”
“O GABINETE AINDA ESTÁ TAL E qual a sua antecessora o deixou. Um tapete de Arraiolos m, meio remendado, uns sofás desbotados, de cor indefinida, e uma cortina pesada que não ajuda a deixar passar a luminosidade. Maria Cavaco Silva, 68 anos, bem desejaria renovar o espaço, a seu gosto. Mas o orçamento não dá para essas estravagâncias. A opção foi acrescentar elementos que ajudem a criar um ambiente mais personalizado: fotos da família, alguns quadros, um candeeiro e flores.
Durante quase duas horas, a primeira-dama, ou melhor, a mulher do Presidente, como prefere ser tratada, não se furtou a nenhuma pergunta. Na sua primeira entrevista desde que chegou a Belém, assume-se politicamente como sendo de centra-esquerda, solta uma gargalhada quando a qualificam de católica-conservadora e propõe-se a ser mais pró-activa do que reactiva, nas funções que vai desempenhar até ao final do mandato de Cavaco Silva.
Por agora, em vez de poemas, dedica-se a escrever os seus próprios discursos a lápis, em pequenas folhas que manda guardar religiosamente. Mas não abdica de continuar a receber os netos, ao fim de um dia de trabalho. Como aconteceu, depois de falar com a VISÃO.”
Estas são as palavras das jornalistas da VISÃO antes de transcreverem a entrevista realizada a Maria Cavaco Silva que foi tema de capa (semana de 7 a 13 de Dezembro), na qual a frase utilizada foi “Sou de centro esquerda”, por ser um facto que surge como novidade e que pode também ser um dado polémico. De frisar que é a primeira entrevista dada pela mulher do Presidente após a sua chegada a belém.
Resolvi destacar as respostas (excertos) mais polémicas e ricas em novidade, bem como as perguntas que as suscitaram:
VISÃO: É verdade que lhe chamavam Delgadinha por ter sido apoiante de Humberto Delgado?
Maria Cavaco Silva: [Gargalhada] Verdadíssima. (…) Eu era muito revolucionária e, quando Humberto Delgado se candidatou, houve um entusiasmo fantástico e eu embarquei muito na onda do entusiasmo. E como, fisicamente, era muito magrinha, os meus amigos da Faculdade de Letras começaram a chamar-me Delgadinha.
Se lhe pedissem para se definir politicamente, dir-se-ia de direita ou de esquerda?
[Pausa] Já fui de esquerda, quando era muito necessário. Agora, diria que sou de centro-esquerda.
Porque se define de centro-esquerda?
A esquerda corresponde mais a um ideal de pouca concretização. Com a direita não me identifico, porque, apesar de não ter partido, tomo atenção ao que eles vão dizendo e fazendo e não me identifico com os de direita. De maneira nenhuma. Também não me identifico com as posições de partidos completamente à esquerda. (…)
É interessante a forma como se define, porque há quem a considere uma católica conservadora. Sente-se confortável com esse fato?
Não sabia que diziam isso, mas té me dá vontade de rir. É um fato capaz de me ficar um bocadinho largo. Largo ou estreito, não sei. Agora há a tendência para se dizer que se a pessoa é católica, é logo conservadora. (…)
Alguma vez conseguiu que o seu marido mdasse de ideias em relação a uma política?
Não. Acho que corre essa ideia de que eu, às vezes, governo por interposta pessoa. É errada.
Gosta de Saramago?
Gosto. O Memorial do Convento é um romance extraordinário. Depois há outros de que já não gosto tanto. Mas, apra mim, o Memorial é um marco na Literatura Portuguesa. Agora, há toda uma comunicação através do SMS, portanto, estamos em plena mudança. Temos de esperar para ver.
Continua a escrever poemas?
Agora, tenho escrito mais discursos.
Há igualdade de oportunidades entre homem e mulher, em Portugal?
Agora, já acho. As pessoas dizem que a mulher tem de ser sempre melhor que o homem para chegar aos lugares…
Acha que as mulheres, por exemplo, não estão nas administrações das empresas porque não querm, ou porque não são consideradas socialmente disponíveis para essas funções?É que se não são consideradas socialmente disponíveis, tal quer dizer que a sociedade não as encara de uma forma igualitária.
Mas os homens e as mulheres não são iguais.
Em termos de igualdade de oportunidades não deveriam sê-lo?
Acho que as pessoas têm de fazer as suas escolhas. Quando querem, seguem as suas carreiras.
Concorda com a existência de quotas para a participação das mulheres na vida política?
Para cumprir uma percentagem? Não me sentiria bem.
O aborto está na agenda político-social. Qual a sua posição sobre o assunto?
Não vou ter posição pública. Digo-lhe apenas que temos uma boa lei.
E sobre a legalização da prostituição?
Sou contra.
Há alguém lá fora ou cá dentro que constitua um padrão ou uma referência para si?
Não me rejo por padrões. Eu sou aquilo que sou e as pessoas cumprem de acordo com a sua personalidade e trajecto de vida.
Estes pequenos excertos devem servir como estímulo para a leitura deste entrevista que está muito bem conseguida e orientada. Os temas principais e mais polémicos são distribuídos ao longo do diálogo não deixando esmorecer a curiosidade e o interesse do leitor.
As fotografias complementam de forma rigorosa e simples a entrevista, bem como as pequenas caixas com as principais citações.
Um bom exemplo de entrevista das jornalistas Áurea Sampaio e Sónia Sapage. Fotos de Gonçalo Rosa da Silva.
Ler na VISÃO da semana de 7 a 13 de Dezembro.
“Numa manifestação de estudantes, um jovem de 13 anos, inspirando-se no ‘Gato Fedorento’, empunhava um cartaz: “queremos tipo coisas fixes”. A auto-ironia, sinal de inteligência apurada, é uma excelente resposta a um país deprimido com os seus jovens, submerso em reportagens e textos de auto-ajuda, colunistas do Apocalipse e telepsicanilistas. Os jovens hoje são ignorantes, escrevem com abreviaturas e não se movem, como no passado, por grandes causas. É o que se diz no intervalo de cada novela. E, no entanto, se olharmos com atenção, querem o mesmo que queriam os seus pais: coisas fixes.
Toda a gente vive angustiada com esta juventude sem rumo. Os pais não têm tempo para os filhos. Como se antes passassem horas de brincadeira, aventura e descoberta com eles. Os filhos levam uns sopapos na escola, a que se deu o pomposo nome de “bullying”. Como se antes reinasse a paz e a harmonia entre os colegas. Os adolescentes apanham grandes bebedeiras de noite. Como se antes bebessem Caprissumo. E os jovens querem “tipo coisas fixes”, como se antes quisessem disciplina ou procurassem as causas das suas vidas. A escola portuguesa é medíocre. Como se antes fosse um espaço de excelência onde pululavam mestres inesquecíveis.
Para percebermos os adolescentes, não precisamos de muito. Basta recordar a nossa adolescência e acrescentar-lhe quatro coisas: computador em casa, escolas com gente de todas as classes, a certeza de que no futuro nada está seguro e pais angustiados com medo de falhar. É tudo tão simples como sempre foi, tão doloroso como a adolescência sempre foi: querem coisas fixes e as coisas fixes não acontecem.”
Por Daniel Oliveira in Expresso (01-12-06)
Uma coluna simples, eficaz e inteligente. Sobretudo se compararmos com a coluna da Visão de Pedro Norton (da mesma semana) que não parece não ter qualquer ideia de onde feio o “fenómeno coisas fixes”. A coluna de Daniel Oliveira demonstra-nos que o autor sabe do que fala, fazendo de uma forma muito perspicaz.
“Sacrifício é uma das palavras mais repetidas nos últimos tempos. No discurso político do Governo, mas também entre os economistas. Para viver melhor no futuro, é preciso pagar agora, através de um acréscimo na carga fiscal, de aumentos nulos ou muito moderados nos rendimentos do trabalho, da contenção no consumo e da manutenção de uma taxa de desemprego elevada. Com variações no dramatismo, dependendo daquilo que cada Executivo considera, em cada momento, ser mais conveniente em matéria de gestão de expectativas, é neste enquadramento que o país tem progredido, de forma débil, praticamente desde que aderiu ao euro. As baixas taxas de juro e o recurso ao crédito sustentaram algumas ilusões, mas a realidade de um país vivendo acima das suas possibilidades impôs-se, sem apelo, nem agravo. As comparações são dolorosas e os estudos da Comissão Europeia fustigam as convicções do mais optimista dos cidadãos. Entre os mais recentes, há conclusões elucidativas. Por exemplo, o peso dos salários sobre o produto interno bruto (PIB) é, em Portugal, o mais elevado entre os 12 países que integram a zona euro, valendo mais de 73 por cento daquele indicador. Isto é, o rendimento médio de um cidadão português representa sensivelmente dois terços da média europeia mas, em relação à riqueza gerada pelo país, deveria ser ainda mais baixo. Noutra frente, Bruxelas veio anunciar que, em 2006, por cada euro investido em Portugal o retorno será de 7,5 por cento, rendibilidade que ser a mais baixa da Europa, onde os campeões serão os irlandeses, com um retorno de 14 por cento. Para finalizar, a Comissão decidiu efectuar um balanço do progresso económico dos países-membros da «eurolândia» desde o lançamento da moeda única. Se tem o palpite de que Portugal foi a nação que menos cresceu desde essa data, em comparação com os restantes pioneiros do euro, adivinhou. Os sacrifícios vão prosseguir. O retorno chegará a tempo?”
in DECERTO, João Cândido da Silva, Director do Dia D, suplemento do Público, 1 de Dezembro de 2006
“Há quem sinta tristeza na quadra festiva. Solução: ajustar a época à vontade própria
RUAS E ÁRVORES ILUMINADAS, montras recheadas de apelos ao consumo, centros comerciais apinhados e intensas trocas de telefonemas e correspondência. Estar com os outros e para os outros é um ritual quase obrigatório, que absorve os dias e a paciência de quem, como a personagem Scrooge, inventada por Charles Dickens, não lida bem com o espírito natalício. «Mal acaba o Verão, vêm-me logo à cabeça os planos da Consoada e a ditadura das prendas.» Soledade Magalhães, 34 anos, funcionária numa gráfica, já sente aquela angústia que se abate sobre ela como chuva miudinha, nesta fase de preparativos. Em casa, os filhos e o marido nem sempre compreendem as suas oscilações de humor, entre o rabugenta e o preocupada, até porque as finanças não estão para grandes aventuras. Este ano, Soledade quer ter um Natal bem diferente do pesadelo que viveu no ano passado, por esta altura. «Sentia-me muito cansada, saía do trabalho maldisposta, tive febre e fiquei com borbulhas pelo corpo todo. No dia 25 até fui ao hospital, mas as análises não acusaram nada.» A depressão de Natal, ou o estado melancólico que assola muitas mentes durante a quadra festiva, é comum. Acumula os dissabores de um ano que, no começo, se projectava promissor: perdas de familiares, crises existenciais (quebras psicológicas ou outras doenças, separações), problemas financeiros e expectativas frustradas. Nem sempre acompanhado de incómodos físicos, o estado de espírito cinzento traz condutas saudosistas – do tipo «quando eu era criança é que era bom». Ou formas de ser mais pessimistas e estranhas para os adeptos da noite de todas as festas.
PARA MARIA JOÃO MARTINS, 45 anos, o pior é a falta de tempo para celebrar o recolhimento familiar. «A vida de comerciante é isto – na véspera de Natal estou presa na loja até quase à noitinha e já vou em stresse para casa.» Divorciada e a viver sozinha por opção, admite que durante este período sente mais a ausência de um companheiro: «Fico um pouco nostálgica, sim.»
«A depressão de Natal é uma reacção a uma frustração», nota a psiquiatra Maria Antónia Frasquilho, 50 anos. No entender da médica, o problema instala-se quando se atribui um significado negativo à quadra, sem qualquer esforço para se adaptar a ela e daí tirar partido. O sofrimento a que muitos se agarram, condenando a febre consumista e a suposta hipocrisia reinante, não ajuda: «Dizer que o Natal é todos os dias também se revela uma ilusão e um pretexto para fugir ao convívio com os outros, que se encara como difícil.» Dar o seu próprio significado à época, reinventando a fórmula que melhor se ajusta a cada um, é a sugestão da clínica. Assim faz o consultor Manuel Dias, 53 anos. Desde a faculdade, desvaloriza a azáfama natalícia. Divorciado e com um filho maior de idade, ainda aderiu à tradição nos primeiros tempos de paternidade. Agora, cada ano é diferente: «Já me meti num avião e fui para um país quente. Já passei a Consoada sozinho, a ver um bom filme de aluguer. E já jantei com familiares.» Poucos presentes dá e recebe, mas não o olham como um Mister Scrooge. Antes irritava-se e deprimia-se – «até por causa do mau tempo». Hoje considera-se um homem pacificado com a «ilusão natalícia». Concluindo: o Natal é o que se faz dele.”
Clara Soares, in VISÃO, nº 718, semana de 7 a 13 de Dezembro de 2006
“Num mundo perfeito, governado pelo Bloco de Esquerda, o aborto seria com certeza livre, o consumo de drogas feito à mesa dos cafés, os homossexuais casariam e criariam os filhos dos outros, a eutanásia viria a caminho e com certeza que a GNR, ou qualquer outra polícia, se a houvesse para além da prestação de serviços de trânsito, seria impedida de disparar sem um requerimento à tutela. Admito mesmo que, excepcionalmente, e em caso de desobediência a este princípio, fosse permitida a pena de morte para todos os agentes que ousassem incomodar os criminosos em fuga. Mas, até chegarmos a esse limbo de degradação política e moral, o que haveremos de fazer para compatibilizar a imperiosa necessidade de segurança com o respeito pela vida, até de terceiros? Leio no Público, a propósito dos recentes disparos de militares da GNR, que Clemente Lima, responsável pela Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI), pensa ser «mais sensato», no caso de uma transgressão com fuga à polícia, «deixá-los fugir» do que provocar mortes. Estamos perante uma bela utopia! Como pode, sob pressão e em poucos minutos, com a polícia ainda na idade da pedra no que se refere à utilização de meios informáticos, um agente saber que persegue criminosos seniores ou apenas jovens candidatos? Como se faz essa destrinça? E deve o agente esperar pelo primeiro tiro, que o atinja, para depois actuar? O caso é sério. E, como tal, deve ser discutido seriamente, sem a habitual demagogia do Bloco (que quer já António Costa no Parlamento), nem o aplauso pelo advento de um Estado securitário e policial. É evidente que os agentes devem ter uma formação continuamente melhorada e cada vez mais profissional, devem ser preparados para exercitar o sangue-frio. Quem dispara tem de ser alvo de um processo rigoroso e sério, até para se ter a certeza de que não o fez de forma fácil e leviana. Mas eu não quero viver num País onde a polícia deixe de se ralar, onde os agentes, para não terem chatices, deixem fugir criminosos ou quem se porte como tal. O respeito pelo trabalho policial é meio caminho andado para que não haja muitas situações como as dos últimos dias no Norte. O laxismo é um bom anestesiante para se fracturar uma sociedade. Não é, com toda a certeza, o remédio para lhe dar saúde.”
João Marcelino, Director Editorial in Revista Sábado, nº 128 (semana de 12 a 18 de Outubro de 2006)
“A brasileira Ana Carolina queria ser estrela. A anorexia roubou-lhe a vida aos 21 anos com 40 quilos, o peso de uma menina de 11 anos. Uma história de arrepiar. Por Eduardo Marini/PRENSA 3/BAINPIX Colaboraram: Aziz Filho, Camilo Vannuchi, Greice Rodrigues, Kátia Mello, Lena Cadstellón e Luciana Franca
Na infância, a paulista Ana Carolina Reston Marcan usava sempre a mesma resposta para fugir dos doces oferecidos pelos primos na piscina da chácara em que foi criada, em Jundiaí (SP). «Não quero, não quero. Vou engordar se comer doce, a moça falou na televisão. Quero ser modelo e não posso engordar.» Tinha oito anos, os olhos esmeralda, a pele alva, a perna fina, os dedos longos e a precoce certeza de quem havia decidido o seu caminho. Na casa de cinco quartos, desarrumava gavetas e armários para desfilar fazendo caras e bocas. Ela mergulhou fundo na determinação de conquistar os estúdios e as passarelas – e também na de comer pouco. Cada vez mais pouco. Tão fundo que encontrou rápido os estúdios e as passarelas do Brasil, do México, do Japão e da China, mas também uma anorexia nervosa devastadora e um violento processo de bulimia. E a morte. Tudo durou 13 anos. Na madrugada de terça-feira 14, aos 21 anos, Carolina morreu com apenas 40 quilos. Um espanto para quem tinha 1,72 metros de altura. Um peso mais apropriado para uma menina entre os 11 e os 12 anos e 25 centímetros a menos do que ela.”
Revista DOMINGO do Correio da Manhã, 26 de Novembro de 2006
Este é apenas um excerto da reportagem sobre a modelo brasileira Ana Carolina – a descrição rica e pormenorizada faz com que o leitor se prenda, desde logo, à estória. Move a sua sensibilidade, alertando-o para a gravidade de um problema: a anorexia.
“Uma travessia do Sara” por Gonçalo Cadilhe (revista ÚNICA)
Publicado Novembro 29, 2006 Imprensa 5 Comments“É tempo de Ramadão, um mês de jejum para os muçulmanos. Um período pouco aconselhável para viajar no deserto.” Esta é a entrada de uma peça que, na minha opinião, é um excelente exemplo de jornalismo: o relato, ao mais pequenino pormenor, de uma viagem realizada por Gonçalo Cadilhe.
“O meu primeiro dia no Sara coincide com o primeiro dia do Ramadão. Durante um mês, entre o nascer e o pôr-do-sol, milhões de muçulmanos à minha volta abster-se-ão devotamente de fazer passar entre os lábios o que quer que seja, desde uma gota de água a uma passa de cigarro. Eu estarei no meio deles tentanto passar despercebido à hora das refeições.” Este lead está muito bem conseguido. Em poucas palavras consegue resumir o porquê desta sua viagem e relata-nos o seu objectivo principal, conjuntamente com a sua futura forma de estar.
“Ficamos atolados na areia a meia da tarde. Há que empurrar. Cerca de dez horas depois da última refeição de todos os passageiros. Eu, incluído. Não trouxe uma única bolacha, não sabia que se encontrava no Ramadão. E o minibus não vai estar, só por minha causa, a parar numa tasca – que de qualquer das formas não estaria aberta. Empurramos o veículo com os estômagos vazios. Custa mais. Poucos minutos depois, enterramo-nos outra vez. E outra.” Aqui é feita uma descrição exímia e muito bem complementada através de uma fotografia na qual se vê este grupo de homens a empurrar a carrinha, completamente atolada na areia. Muito bem conseguido.
”Em Agadés, chega-me finalmente a diarreia. É obra: seis meses por África acima e, até agora, nenhum roubo, nenhum susto, nenhuma arma apontada ao peito, nenhum incidente racista, nenhum problema de saúde. Nem sequer uma diarreia. Só esta, que cai na melhor altura: hoje, um dia inteiramente dedicado a descansar no hotel.” Pode ser um pouco fora de normal mas, na minha opinião, este relato está bastante interessante até porque, mais à frente, o jornalista dá a explicação (possível) para o sucedido.
“Sento-me à sombra de uma árvore. A única árvore. Chega um senhor com uma cabra. Cumprimenta-me amigavelmente, põe-se na conversa comigo. Qual o meu nome, de onde sou, qual a capital do meu país, que conhece o Figo, claro, saca de uma faca e, tranquilamente, degola a cabra.” Inesperada esta parte final, surpreendente sem dúvida. Continua a agarrar o leitor, sempre de uma forma muito curiosa e imensamente descritiva. Dá cor ao que se lê, dá-lhe “fotografia” sem que seja necessário esta estar presente.
”Mais um dia sem comer. Não trouxe uma única bolacha, não tive tempo, ontem, com as correrias. E o camião não vai, só por minha causa, parar numa tasca. Mesmo que pare, já sei o que será o almoço: cabra acabadinha de degolar. Explicarei ao senhor Ibrahim que estou de jejum. Poupo-lhe a vergonha de um passageiro tão ímpio, e aproveito para expulsar mais umas toxinas do corpo”. Assim acaba este relato do jornalista em viagem. Recorre, de novo, às bolachas. Acaba por também ele aderir ao Ramadão, como se também ele já fizesse um pouco parte desta tradição. As fotografias, assim como as frases chave que acompanham a peça estão muito bem conseguidas, dando ainda mais vivacidade a esta peça, já de si tão calorosa (pelo que transmite, e pelo que nos faz sentir).
Aconselho a leitura para quem ainda tiver oportunidade (não se encontra disponível on-line).
Rejeitando o cenário da morte dos jornais, responsáveis editoriais
de todo o mundo ouviram ontem duas boas ideias
da Polónia e da Suécia
Os jornais estão feridos de morte? Não. Estão vivos e recomendam-se. É com esta certeza que ontem e hoje estão reunidos em Madrid centenas de directores editoriais e peritos em marketing de todos os cantos do mundo para participarem numa conferência da Associação Mundial de Jornais (WAN). Confrontados com novos desafios que têm desviado leitores e publicidade dos tradicionais jornais em papel, muitas redacções (para não dizer todas) estão a reinventar-se. O momento, sublinhou Timothy Balding, presidente da WAN, é de crise, claro. Mas também de vigor e aventura.
Eamonn Byrne, director comercial da WAN, rejeitou o cenário da “morte dos jornais”, afirmando acreditar que “não há nada no mundo tão portátil, tão útil, tão rico em conteúdo e tão essencial para as nossas vidas como um jornal”. Os números globais mostram que existem actualmente 7700 títulos diários pagos em todo o mundo, que só nos últimos cinco anos foram lançados mais de 550 jornais, que no planeta existem, pelo menos, 1200 milhões de leitores diários e que a indústria dos jornais emprega quase dois milhões de pessoas.
O fim dos “megafones”
As estratégias são múltiplas e passam todas pela inovação. O primeiro exemplo dado ontem em Madrid foi o do Gotesborg-Posten, jornal diário da Suécia. Anders Goliger, director adjunto, considerou que os jornais deixaram de ser “megafones” e são hoje plataformas de diálogo.
“Estamos a transformar os leitores, para que deixem de ser passivos e passem a participar no jornal.” Foi o que aconteceu quando as autoridades municipais anunciaram a requalificação urbana de uma grande parte do centro da cidade de Gotesborg. O jornal aproveitou a oportunidade para se transformar no veículo da opinião dos cidadãos e o divulgador das estratégias alternativas, tendo mesmo contratado vários arquitectos para desenharem as suas ideias. Cerca de 25 mil leitores votaram depois no seu projecto favorito.
Seguiu-se o exemplo do influente jornal polaco, a Gazeta Wyborcza. O seu director de projectos especiais, Grzegorz Piechota, contou como o seu jornal foi atrás da “história do ano” na Polónia, que não se estava a passar na Polónia. Depois da adesão à União Europeia em 2004, cerca de dois milhões de polacos viajaram para ocidente à procura de trabalho. A Gazeta enviou vários jornalistas atrás dos emigrantes com instruções para tentarem arranjar empregos tal como eles.
“Desde o início, todos os repórteres tinham que escrever blogues para o nosso site, fazer podcast, e tirar fotos com os seus telemóveis”, contou. “Foi uma experiência completamente nova para eles e para mim também. Duas semanas antes de o primeiro artigo sair no jornal impresso já milhares de pessoas estavam a seguir esta expedição on-line todos os dias e a dar dicas e táticas sobre a melhor forma de arranjar emprego no estrangeiro.” Actualmente a “história do ano” continua a crescer (programas de rádio, um site e uma secção diária em papel só com notícias sobre os emigrantes, dicas e ofertas de emprego). O segredo do sucesso? “É uma história sobre pessoas.”
De Joana Amado, in Público
Esta foi uma notícia que achei bastante curiosa e que me pareceu uma boa notícia, ainda que fosse muito centrada em citações dos intervenientes. Contudo, penso que as citações são pertinentes e relevantes para a percepção clara da notícia. Também gostei do lead, visto que não é muito longo e explica bem o conteúdo da notícia.
Tânia Miranda
Numa altura em que a Arquitectura anda na ordem do dia (veja aqui ao que me refiro), encontrei no jornal gratuito “Mundo Académico” de 20 de Novembro (pp. 8) um perfil bastante interessante e bem escrito sobre um arquitecto.
O ante título “Na pele de um arquitecto” remete-nos para o género de que se trata: o perfil. De seu título “As cidades querem-se mais humanas”, este perfil centra-se mais nas opiniões do arquitecto do que no seu (re)nome por não se tratar de uma celebridade.
A linguagem utilizada pela autora Maria Seruya Cabral, é, conforme requerido por este género, uma linguagem mais livre, menos técnica e mais embevecedora, o que nos envolve na leitura. Estão são características que reconheço como importantes para não desmotivarem a leitura pois, afinal, trata-se do perfil de um anónimo. Notem-se, por exemplo, metáforas tão expressivas como: “Muitos lápis e compassos depois” [referindo-se ao tempo passado], “Jogo de paciência” [referindo-se a um projecto], “A menina dos olhos do projecto” [a propósito da parte criativa], “Cria-se uma imagem que se vai focando aos poucos até ganhar selo de qualidade para se materializar” [evolução de um projecto].
Neste perfil ouvimos a voz do próprio arquitecto, ele está no texto, nas ideias e nas citações.Também achei a caixa “A Saber” do fundo da página interessante. As questões ali colocadas são relevantes para o tema de que se trata e complementam as ideias do texto.
A organização visual da página (inteiramente dedicada a este perfil), também é, a meu ver, bastante apelativa. Elementos simbólicos como o lápis e o compasso complementam os outros elementos visuais num conjunto que resulta muito bem.Creio que este é um exemplo que desmistifica um pouco o fraco lugar comum em que os jornais gratuitos caíram. Aqui, a linguagem e o discurso utilizados, para além de cumprirem com os requisitos jornalísticos, revelam-se um tributo ao gosto-pelo-escrever.
Veja aqui a versão online.
Veja também:Página Inteira,Topo da Página,Fundo da Página
No site http://multimedia.rtp.pt/, na secção Informação Diária, por baixo do título TELEJORNAL, está uma selecção de vídeos em formato WMP. Do dia 15 de Novembro de 2006 está o Telejornal do qual escolhi a reportagem para analisar e comentar, a terceira do alinhamento. Trata-se de uma peça sobre emigrantes portugueses na Holanda que, na minha opinião está bastante bem construída, dividida em duas partes principais, sendo que a primeira diz respeito à chegada de cinco desses emigrantes a Portugal e a segunda relata as condições de sobrevivência dos restantes que ainda se encontram na Holanda.A primeira parte inicia-se com o pivô, com o discurso simples e directo, que resulta num lead objectivo e esclarecedor acerca do quê, quem, onde, quando, como e porquê do acontecimento. As primeiras imagens da reportagem mostram a chegada do autocarro dos emigrantes ao Porto, o que contextualiza a situação actual. Para além destas imagens, o repórter completa a reportagem com algumas imagens da própria viagem, no interior do autocarro assim como com dois depoimentos de emigrantes, em que ambos se referem ao embuste de que foram vítimas (denota-se, aqui, uma clara preocupação por parte do repórter em não só contar a história, como também mostrá-la.A segunda parte da história começa quando o pivô começa a falar acerca da situação dos restantes trabalhadores que se encontram ainda nesta situação, pelo que a acção se passa na Holanda. As imagens seguintes que vemos são de responsáveis da empresa “TempoTeam”, para a qual trabalham os emigrantes portugueses. Em seguida temos imagens de alguns trabalhadores, contando as precárias condições de sobrevivência em que se encontram.Agregada a esta reportagem está ainda uma peça sobre a substituição do cônsul português em Roterdão, numa altura em que se verifica mais um pico na crise dos emigrantes portugueses na Holanda.Nota-se, nesta reportagem, uma clara intenção por parte dos jornalistas em mostrar os vários lados desta história, não só contando mas também mostrando, através de depoimentos significativos e imagens pertinentes para o desenrolar da história. A linguagem é simples e acessível e pequenos detalhes, como a exibição dos contratos entre os trabalhadores e a empresa ou de imagens como a de um trabalhador a dirigir-se ao multibanco para verificar o seu saldo merecem algum destaque, uma vez que enriquecem a história, do ponto de vista da variedade de imagens.
«Da roça miserável à miséria da prostituição
A história começa, no outro lado do Atlântico, com uma jovem de barriga vazia e acabada, já desta lado com a menina feita mulher à força. E grávida. A história de Claire, nome artístico adoptado em Portugal, é igual à de muitas outras brasileiras que um dia trocaram a miséria das roças onde viviam, no interior do seu país, para, iludidas com promessas de emprego, acabarem em miseráveis casas de prostituição portuguesas. Manietadas por “agentes” ou “empresários” que diariamente lhes reclamam mais e mais dinheiro.»
Esta reportagem vem publicada no jornal Público de dia 22 de Novembro de 2006 e é assinada por José Bento Amaro. Quanto ao título, é um original jogo de palavras que dá logo a entender que o texto que se segue é, não uma notícia, mas uma reportagem, pela continuidade que sugere. Essa ideia é, também, retomada no lead, fazendo a ligação entre o texto e o título.
A reportagem vem no seguimento de um seminário que teve lugar em Alfragide sobre Tráfico e exploração sexual apresentado pela Polícia Judiciária. Esta informação poderia ter sido dada em forma de notícia, contudo, optou-se por partir de um caso específico, o de Claire, para abordar as conclusões desse relatório: «A saga de Claire assenta como uma luva no que ontem foi descrito, em Alfragide, (…)». Aliás, em todo o texto existe uma harmonia constante entre as informações relatadas no seminário e a experiência de vida da personagem; tudo o que a personagem viveu é documentado pela PJ, bem como tudo o que a PJ apresentou é exemplificado pela personagem.
Toda a reportagem caracteriza o sofrimento vivido pela personagem enquanto vítima de exploraçao e tráfico sexual e o fim vem, também, ele fechar o texto com essa caracterização: «A “liberdade” que diz ter conquistado desobriga-a de se deitar com todos quantos lhe apareçam pela frente. ” Não tenho uma boa situação [financeira], mas antes também não tinha e agora até posso sair quando quero.” Claire, que agora vive na margem Sul do Tejo, só deseja “voltar ao Brasil”, para a roça onde antes “ajudava na cana [-de-açúcar]“. Amealha com sofreguidão todos os euros que o companheiro ganha na construção civil.»
A escolha desta entrevista de José Fialho Gouveia a José Saramago no semanário SOL é pertinente pelo peculiar carácter do entrevistado, pelas perguntas pertinentes e particulares (típicas deste tipo de entrevista no semanário) e pelas respostas tantas vezes surpreendentes.
Em primeiro lugar gostaria de destacar a frase escolhida para “título” da entrevista: “Não cumprimento Cavaco Silva”. Este título chama a atenção do leitor para algo que parece não ser possível. Um prémio Nobel da Literatura não cumprimentar o Presidente da República é algo suficientemente tentador para exigir uma leitura mais aprofundada da entrevista. De seguida, chamo a atenção para as frases destacadas numa coluna em separado: “Marques Mendes parece-me uma coisa estranha”, “Santana Lopes é um imbecil”, “Não tenho orgulho em Durão Barroso”, “Nunca houve comunismo no mundo”, “Vivemos numa plutocracia, o governo dos ricos”, “A globalizaçao é um novo topo de totalitarismo”, “Os seres humanos não são de fiar” e “A política de Sócrates não é socialista”. Como se pode verificar são declarações polémicas, o que para quem conhece um pouco de José Saramago não é algo que se estranhe. No entanto, esta coluna surge também como incentivo à leitura, revelando os pontos-chave da entrevista.
Ao folhear o semanário, apercebemo-nos que se trata de uma entrevista curta, com o objectivo de descobrir pequenas curiosidades e opiniões polémicas. O “nariz de cera” da entrevista é curto e claro: “JOSÉ Saramago, que lançou esta semana o livro Pequenas Memórias – um relato da sua infância e adolescência -, trocava o Nobel por mais 15 anos de vida, com esperança de o voltar a ganhar”. Cria algum suspense e curiosidade.
Em relação às perguntas realizadas podemos facilmente verificar que denotam uma busca incessante pela novidade, pela controvérsia (pela qual o entrevistado é muito conhecido) e pela polémica. Ao ler toda a entrevista descobrimos um pouco mais sobre o escritor e, principalmente, sobre a sua visão da política e dos seus actuais e principais intervenientes. Não deixa de ser curioso que, apesar de José Saramago ter lançado o seu livro esta semana, nenhuma das perguntas se refiram ao mesmo, o que não deixa de ser também surpreendente mas que não faz com que a entrevista perca qualidade.
Quem leia atentamente a entrevista verifica a existência de uma espécie de diálogo entre entrevistador e entrevistado, e este chega mesmo a fazer uma pergunta à qual o entrevistador responde. É curioso este tipo de entrevista que, semanalmente o SOL publica, sempre com um intuito polémico e gerador de controvérsia. Busca a novidade, acima de tudo. Vale a pena ler.
Disponível em http://sol.sapo.pt/EdicaoImpressa/10/1Caderno.aspx
Escolhi esta reportagem porque gostaria de finalizar a semana sobre os bons exemplos de reportagem com um caso polémico. Com efeito, há uma diferença entre a escrita correcta que responde a todas as exigências que a caracterizam, como as frases curtas, simples e apelativas, por exemplo; e o «ethos» jornalístico propriamente dito, que (infelizmente) não se pode analisar na simples leitura da reportagem, porque mais interior e subtil (e porque não esquecido?) ao olhar do leitor. Com isto quero dizer que o repórter Hugo Franco do Expresso revela-se um excelente profissional. A descrição é pormenorizada, o que possibilita o sentimento de identificação por parte do leitor. O número de personagens é vasto, o que propociona uma variedade de citações, que enriquecem a reportagem. É de notar igual cuidado na escolha de verbos no tempo presente e de adjectivos que conferem vivacidade e fluidez ao texto. O lead é bastante feliz, porque informativo e sugestivo, e o mesmo se passa com a conclusão, que é feita de modo a acabar em aberto, dando a ideia de que a estória pode continuar.
Apesar de todo este cuidado, é sabido que o jornalismo proporciona o relato altamente seleccionado da realidade. Assim, o campo jornalístico poderá ser considerado um campo de censura, dado o seu poder de selecção e construção de mundos informacionais. A reportagem é um género caracterizado pela liberdade e subjectividade na condução e construção da informação. Contudo, até onde vai essa liberdade? Será que é lícito que ultrapasse a veracidade dos factos, em favor da mensagem que o órgão de informação deseja passar? Mais concretamente, eu estive neste festival e acho, no mínimo, estranha a reportagem feita pelo Expresso, um jornal de referência, pretensamente de qualidade, equilibrado e exclarecedor – e não criador de mitos. O que o jornalista Hugo Franco fez foi uma reportagem manipulada desde início. Suspeito (e aqui o ambiente deste blog parece permitir-me fazê-lo) que a ideia de partida seria já fazer uma reportagem negativa sobre um espaço e uma culltura marginais à sociedade e ao conhecido (e logo controlado) pelos média. O Boom Festival é um espaço de lazer e partilha, onde podemos encontrar galerias de arte, colóquios variados, work-shops de meditação, reiki ou simples sensibilização para os problemas ambientais, um espaço para projecção de filmes e documentários, actividades para crianças com o devido acompanhamento, enfim.. a barragem de Idanha-a-Nova transforma-se completamente nestes 7 dias em cada dois anos. Os problemas exteriores da sociedade podem ser rejeitados e podemos ter a ideia do nosso potencial enquanto indivíduos em busca de sabedoria e de realização pessoal. Ora, realização pessoal e droga são conceitos muito diferentes e distantes. Ambos existem e o jornalista escolheu um. Será, então, este um exemplo de uma reportagem rica e informativa? Com esta reflexão, faço um apelo à moral e ao discernimento de todo o jornalista que é considerado um bom profissional, imprescindível garante da democracia.
A reportagem encontra-se aqui: http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=367535
Na rubrica Quem Tv, o artigo “A vida das marionetas” assinado por Rodrigo Guedes de Carvalho, da Única de 11 de Novembro. (Infelizmente não pode haver link porque o acesso é restrito a assinantes). Fica aqui a primeira parte.
OS JORNALISTAS são o quarto poder? Então, se me permitem, há um quinto. O poder sibilino de quem utiliza os jornalistas. Para não ir mais atrás, lembro aquele vídeo recente que um iraquiano enviou às televisões, onde mostrava (e explicava, orgulhoso) como abatia soldados americanos com um único tiro. Eterno conflito nas Redacções: mostramos isto ou não? Voto quase sempre vencido, mas o meu “não” é categórico. Tenho pouco feitio para marioneta. Se alguém comete uma animalidade e ma impinge em jeito de “marketing”, sou menos um jornalista e mais um pombo-correio.
Este artigo leva-nos a reflectir sobre o papel do jornalista num momento em que os media, sobretudo a televisão, têm o “haver imagens” como um dos principais valores-notícia.

